segunda-feira, 3 de junho de 2013

PASSADO

Sou tanto quanto podia ser hoje.
sou tanto quanto não posso ser mais.
Sou o tempo, o tempo que passou.
Sou a conquista de quem nunca foi conquistado.
as experiencias, as rugas, os olhos que nunca mudaram de cor.
O descanso que nunca descansei, e que todos precisam.
Sou a bondade hoje que outrora não tinha.
essa vida,essas mesas já postas, os legumes já colhidos
esses vestidos molhados, já nas madrugadas.
essas mesas ainda não postas,
por o tempo que se foi.
As irritações, essas sim, quase sumiram.
e agora o tempo a frente ver atrás a vida sofrida.
 o tempo atrás nada ver, mais diz tudo que digo.
As batalhas, essas batalhas, com poucos soldados.
poucas armas e muitos inimigos.
Essa vida submissa, essas incontáveis mesas postas.
essa vida chapéu de palha, essa vida enxada.
essa vida, parida em etapas sem descansos.
Esses risos, risos sofridos.
Quem puderia sonhar?
Esses filhos não planejados, esses planos de segundos atrás,
apenas para poucos segundos a frente.
Essa gente que não tem um futuro, não podem elas construir um passado.
Essas vidas voltadas, o sofrimento válido, mas não merecido.
O tempo volta e nada será construído. 
O tempo vai e nada se pode prever.
A juventude se aproxima e nada pode ser feito, se não, tirá-la.
tirá-la com a vida de outros, vidas que se podem ver, mas não evitá-la.
Essa juventude, em pés de umbuzeiros, passa? já passou!
Então o tempo vai ou volta? não se sabe!
Eis que, chega as descobertas, as obrigações, os chapéus, as enxadas.
voltaram as madrugadas que nunca se foram.
Os vestidos molhados são de outros, de mesmo tecido
floridos, quem dera essas flores ainda fossem coloridas,
mas as mãos encharcadas, já muito secaram na quelas flores.
Já não há quase mais cores, e delas não precisam. 
A infância, que infância, há pouco dela.
O tempo passa, agora sim, um pouco da infância que resta.
Não se pode ver, lembrar, não há lembranças.
há poucos passos e poucas possibilidades.
Há risos, esses risos sim, eram precisos, sinceros.
As lágrimas inocentes, mas justas, haviam nelas pouco interesse.
haviam nelas a vida que se aproximava do fim.
O último grito, as ultimas lágrimas, o derradeiro ar.
já era hora de voltar para escuridão vermelha, úmida
e confortável de onde ninguém deseja sair.
Há pouco tempo, mas pouco importa, não há mais nem um interesse.
nem de ar preciso, nem de ar expiro.
há calma, sabedoria miníma no fim. 
É chegada a hora... Não há mais para onde ir.
A morte, o privilégio que dela vim.
a vida: o passado que construí. 
Este fim, este início, talvez não haja diferença. 
Enfim morri, ou ainda nem nasci? SAMUEL IVANI.