sábado, 20 de dezembro de 2014

Filosofia da simplicidade: Teoria do eterno retorno, repetição

Filosofia da simplicidade: Teoria da eternização ou repetição

 “No princípio era o verbo e o verbo era Deus e o verbo estava com Deus e o verbo se fez carne e habitou entre nós.” ( Jo 1:1) 

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Antoine Lavoisier


“Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência.” Friedrich Nietzsche

Essas frases, não foram criadas do nada. Elas foram desenvolvidas a partir de observações do universo ao redor por excelentes observadores. É sabido que nada se cria na natureza humana, inconscientemente, ou não, tudo se transforma. Tampouco, houve uma evolução da raça humana tão além das outras espécies como julgam muitos  que não compreendem a vida. As ideias evoluíram de pessoa para pessoa, de geração para geração, mas essencialmente, somos todos iguais desde quando desenvolvemos a racionalidade. Tampouco, cada ser humano é único se tratando da psique, do universo mental. Indo um pouco além, talvez também não nos distanciemos do instinto animal das demais espécies de seres vivos. Haja ver que, não importa às filosofias, as regras da vida, as pessoas só mudam, de acordo com a necessidade individual.  Uma pessoa só adquire o hábito de economizar água, quando sente na pela a falta de água para as necessidades básicas, embora todos os vizinhos já tenham vivido trágica experiência. Pelo que, ainda continuamos vivendo instintivamente, sem percebermos. Uma das maiores provas dessa teoria é o sexo: não importa o quanto lutemos contra, ninguém vive destituído  de desejo sexual; este mesmo,  que nos impulsiona a deixarmos todas as nossas convicções, os nossos conhecimentos, por um amor de verão sem chances de dar certo.                                                                                    
Outra prova que ainda vivemos instintivamente é que, indivíduos que refletem demais, deixam de viver, pois em suas reflexões em demasia, sempre encontram obstáculos impossíveis de transpor quando iniciam ou sonham com qualquer coisa. Enquanto um indivíduo destituído de uma inteligência razoável, ele vive e alcança seus objetivos quase sempre, sem pensar muito, embora seus desejos sejam limitados. Eles simplesmente vão resolvendo um problema de cada vez e enfrentando a vida e vivendo, procriando e garantido a sobrevivência da espécie. Reflexão e vida são duas vertentes tão antagônicas que são impossíveis de caminharem juntas no mesmo indivíduo.   

Se carregamos conosco à mente de nossos ancestrais, e como todos os seres vivos partiram de um mesmo ancestral em comum, podemos, não facilmente, mas a base de muitas reflexões, conjecturar, de quais ideias surgiram a ideia de Deus, do Ser todo poderoso que nos agraciou com a vida.   Na natureza, tudo está interligado por algo em comum: a energia. Não uma energia sobrenatural, que nos é repassada de graça e, portanto, devemos ser grato a quem nos agraciou com o dom da vida. Refiro-me a energia proveniente do sol. Esta mesmo que absorvemos ao nos alimentarmos diariamente. Essa mesma que gera a competição entre os seres vivos, que por sua vez, gera a evolução, ou a modificação dos mesmos,  no intuito de se tornarem mais eficientes na obtenção da energia que os mantém vivos.   Por esta razão, tantas religiões orientais tratam a natureza como detentora de uma energia que pode ser transferida ao homem.  Como nada se cria, eles estão completamente certos.                   
Deus é a energia que nos nutri diariamente, e nos mantêm vivos: aquele que beber de minha água, e comer de minha carne, terá a vida eterna.   Não a vida eterna do corpo, mas a manutenção da espécie como um todo. A vida, partindo de um único ancestral, não passa de um grande indivíduo, que luta, a todo custo, para sobreviver desde os primórdios da vida na terra. Quando não for mais possível transformar a energia em nutrientes para os seres vivos, a vida será extinta. Ou seja, sem Deus, sem energia, se acabará o mundo.

A ideia de reencarnação dos espíritas, budistas, também parte desse princípio, pois há, talvez, em um número simbólico, cem tipos de homens, sendo que 99 desses se repetem sobre toda a terra, vivendo igualmente, com os mesmos pensamentos, os mesmos sonhos limitados, são estes os medíocres cujo merecem todo louvor, pois são eles que vivem e se reproduzem em larga escala e garantem a continuidade da espécie.    Nós, apenas nos repetimos, não somos únicos. É por esta razão que, muitas vezes, nos deparamos com ideias que julgávamos serem inteiramente nossas escritas por outras pessoas, em tempos remotos. Isso, porque possuímos um padrão e somos essencialmente iguais, e uma vez ou outra, alguém nasce com a mesma capacidade dos grandes gênios da humanidade.


A natureza selvagem que garante a vida não aceita às diferenças, salvo se forem superficiais, como a racionalidade.  Há as diferenças nas características entre as espécies, mas interespecíficas, a padronização garante o sucesso da mesma, senão, os aprendizados não seriam repassados, e cada novo ser teria que começar do zero, aprendendo tudo, até mesmo a racionalidade, isso, não seria possível. Somos uma peça de um grande mosaico chamado vida, quer negue essa realidade ou não. E estamos interligados pela a energia que nos nutre, e nos eternizamos, porque nos repetimos desde os primórdios da vida.  Aceitar é o principio da compreensão do Deus homem. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

Vazio que me atormenta



Vagamos em um mundo de incertezas, pois até mesmo os amores eternos quase nunca passam de janeiro. Mas a dúvida é o preço da pureza.
Li, que o inferno é não confiar. Vi e comprovei que, o inferno é não amar.
Sabe aquele bendito intervalo que temos que vivenciar com um enorme espaço para tanto? (só pra não dizer vazio) Eis o inferno: quando se perde a razão para ir, mas também não quer ficar, e tampouco qualquer lugar serve. Esse é o inferno de não amar. Aquele espaço de tempo que você fica buscando qualquer razão, em qualquer canto, nas coisas fúteis, nos olhares inúteis, nos sorrisos direcionados ao vácuo, na esperança de se encontrar.
 

sábado, 6 de dezembro de 2014

O Inferno é não amar




Como pode um homem viver sem amar?
Sem amor não há razões, desejo, força.
A verdade é que, sem amor, simplesmente não há.
Portanto, preciso, com certa urgência, de um amor;
Não precisa ser eterno, tão pouco correspondido,
Pode ser platônico, de ilusões, nem precisa ser real.
Deixem-me apenas amá-los pois sem amor não sou nada.

Quisera eu amar a lua, mas apesar de linda,
estava ela tão distante, e não existe amor à distância.
Quisera eu amar as árvores,
As amei de fato,
Mas precisei de calor, de ilusões,
e as árvores sempre imóveis, não me permitiram sonhar além.
Quisera eu amor os ventos, pois eles,
embora invisíveis, davam movimentos as árvores.
Mas apesar de senti-los, de acalentarem, quase sempre meu coração ávido por amar
meu amor necessitou-se de forma, de curvas, 
de olhares e não encontrei nos ventos. 

Quisera eu também amar o sol,
Porém, apesar de belo,
De emitir calor, energia,
Depois de pouco tempo, notei, com dor,
que era tudo.
Preciso, com uma certa urgência de um amor
pois não há inferno pior que não amar.
Julgam aqueles que sempre amaram,
que dores de amor são aquelas que mais maltratam.
Estes, não conhecem a ausência
o vazio que é não amar alguém.
Permitam-me que eu os ame,
É tudo que eu peço, pois não há inferno pior que não amar.
Então, se querem me agradar,
Não me tragam versos, não me encham de regalias,
Não me bajulem;
Sejam apenas interessantes, vivos,
pessoas das quais eu possa amar.
Sejam corajosos, enfrentem a vida.
Sejam daqueles que não almejam, conquistam.
Mas acima de tudo, tenham coragem.
Sejam daqueles que não refletem sobre nada, vivem apenas.
Reflexões sempre impedem a vida de florescer.
Eu, que refletia sobre tudo, encontrava “vida” em amar,
Amar ali, aqui, amar além, aquém, só amar...
E vejam agora: sinto-me só, vazio.
Quem arrancou de mim os amores merece todos os castigos,
Pois não há pior inferno para um homem que não amar.
Mas se tu retornasses com aquele amor que me levou,
Ainda sim, como qualquer amante, eu a beijaria.
Sou bobo, por que amo amar.
Então, tirem-me deste martírio e
sejam interessantes, para que eu os ame.
Não é pedir muito, ou é?


Samuel Ivani 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Os crimes que inventei


Os crimes que inventei  


Eu já matei. Não uma, não duas, mas diversas vezes. E também cometi diversos outros crimes, mas apesar de tanto, ainda sou um homem bom.

Eu matei aquele menino que não me emprestou o brinquedo quando eu pedi. E não só ele, também matei boa parte de sua família de forma cruel e rápida, além claro, de ter queimado todos os seus melhores brinquedos. Matei também inúmeras senhoras que me apertaram as bochechas, só por pirraça;  as assassinei das mais diversas formas, sendo que a maioria eu apenas explodi suas cabeças com a força do pensamento, isso, ainda enquanto apertavam minhas bochechas que nem eram tão fofinhas assim. Matei aquele cara grande e forte que me empurrava na fila da merenda. Esse eu matei com gosto afogado na sopa quente, enquanto eu dizia: “vai me empurrar de novo desgraçado, vai? Empurra agora!”.   

Matei também o cara engraçado e de topete do Elvis, que  sempre ficava  com as meninas mais graciosas da sala de aula. Além claro, de tê-lo humilhado na frente de todos, da mesma forma que ele me humilhava  caçoando do meu cabelo cortado modelo surfista ridículo.  Também tirei a vida de diversos motoristas que não me deram carona enquanto eu caminhava sob o sol flamejante, explodindo seus carros com uma bazuca. Já enchi de beliscões até arrancar os couros de um menino gordo e comilão que encontrei sozinho e indefeso na estrada, apenas porque pensei que isso me faria bem. Já desejei aquela menina, que apesar de ainda muito jovem, já tinha graciosidade de uma moça linda.  E mesmo assim, ainda sou alguém do bem.     

Matei aquele cara que tirou uma nota mais alta na prova para um cargo público, só pra ficar com a vaga.  Matei também, por inúmeras vezes, aqueles patrões que me despediram por eu não ser do perfil da empresa. E  aqueles que sequer me deram a chance de demonstrar os meus talentos então!  Esses eu os queimei  em fogueiras de óleo, para que sofressem eternamente, além claro, da clássica explosão da cabeça por telepatia.  Mesmo assim, ainda sou considerado um homem bom.

Já matei, também, inúmeros maridos que não mereciam, segundo meu julgamento, as esposas que tinham, só para ficar com elas.  Mas claro, sempre fingindo ser amável e solidário quando melhor me aprouvesse. Mesmo assim, sou um homem bom.

Além de matar, também sou preconceituoso, pois já tive receio de pessoas maltrapilhas  e com ares de viciados que encontrei nas ruas. Cheguei ao ponto de pensar, por inúmeras vezes, que seria, com certeza, morto por um deles. Mas sempre me contive, disfarçando a duras penas os tremeliques. Se bem que, logo que sentia o perigo passado, pensava que se caso eles tentassem alguma coisa, certo que eu o teria dado uma voadora típica do Van Damme e os teria matado também.


Sou um criminoso, um pervertido, um preconceituoso..., e todos outros adjetivos contrários ao ideal do que é ser do bem, mas como sempre escondi e contive os meus crimes apenas em meus pensamentos mais vis, sou um homem bom não diferente de nenhum outro humano comum.   Não diferente de ti leitor. Não negue, pois negar só fará com que eu tente explodir tua cabeça por telepatia.  

Às vezes me pergunto se somos, de fato,  o que negamos, pois é a regra, ou se somos aquele que se encontra no universo selvagem e particular de nossas mentes. 

Samuel Ivani 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Quando um poema me disse



Esse poema tem apenas dez palavras,  ao final pode lê-las. Elas, por hipótese alguma, dizem tudo,  dizem apenas.  

Quando um poema me disse

Diz-me  poema;
Diz-me, como um raio de sol que se esconde em nuvens escuras.
Diz-me, em silêncio, a beleza daquele brilho;
Daquele anjo desequilíbrio.
Diz-me poema! 
Esbraveje feito um louco!
 Eu só queria dizer, que tudo que eu sempre quis,
Foi ser alguém que um dia disse.
Agora me diz poema. 
Diz-me, por mais que soa:
Escuto-te, diz...!
Sussurrou:
- Fiquei guardado em ti, tanto,
Condensaste-me como  nuvem de cores brandas,
Essas que cabem nas lágrimas de quem ver;
no sorriso de quem anseia qualquer coisa que não sabe,
mas é arte e quase tudo vale.

Anda! Diz-me poema:
Balbuciou ele, assim, soberbo,
como se dissesse palavras divinas:
- No final, escondem-se os cotovelos
ao mesmo tempo em que se arregaçam as mangas.
Aí, se descobre que pouco valeu;
que  viver  é correr para um  abismo que não se espera,  
mas que sempre foi certeza.

Diz-me! 
Ainda há de haver mais..., esperei tanto.
Então, diz-me poema, diz-me, que eu não sei dizer!
- Cante- disse ele!
- Que belo conselho- pensei.
Mas dizes-me, tu há de ter ainda o que dizer, 
Que eu, coitado, não sei dizer!
Então, o ouvi ao mesmo tempo em que sentia Bach:  
- As notas sempre estiveram aí, soltas, pairando no ar; junte-as.   

Samuel Ivani

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Covardes


                                            Covardes 

                                             
                                             Corram!  Seus idiotas!
                                             Fujam de mim seus covardes,
                                             Deixem-me com minha solidão.
                                             Afinal,
                                             eu não faço parte de tudo isso;
                                             Dessa vida medíocre!
                                             De esse respirar apenas,
                                             Desse “passar o tempo”
                                             dessa maldita acomodação
                                             com essa vida sem vida!
                                             Não!
                                             Embora deseje,
                                             não vivo indiferente, alheio a tudo,
                                             como todo mundo;
                                             interessa-me a política,
                                             as razões da existência,
                                             as dores das nações.  
                                             Sou assim: grande,
                                             embora não seja “ninguém”.

                                             Então, corram seus idiotas!
                                             Fujam com os rabinhos entre as pernas,
                                             e carreguem consigo seus empregos medíocres,
                                             suas religiões, suas torres de babel,
                                             seus deuses, seus demônios.
                                             Já tenho tudo isso dentro de mim,
                                             Sou realidade e não preciso desse fim. 

                                             Escafedam-se!!
                                             Fujam de mim!
                                             Eu não quero ser como vocês;
                                             desperdiçando a vida,
                                             Nessa regra comum a todos.
                                             Sou maior,
                                             sou multidão!
                                             Pouco importa se o mundo
                                             Enxergará ou não.
                                             Sou grande; um soldado de sucesso,
                                             um homem de um império,
                                             súdito de minha mente.
                                             Quem não enxerga é porque,
                                             não passa de um medroso de merda.
                                             Então fujam!  
                                             Tenham medo de mim,
                                             escondam-se, covardes!
                                             pois sou o pior pesadelo do homem:
                                             A REALIDADE. 

                                                                            SAMUEL IVANI 

sábado, 15 de novembro de 2014

O jeito que a gente ama






O jeito que a gente ama 


Carrego uma mala vazia,
Numa estação quase sozinha quanto.
Me engana o tanto que deseja,
Me ama, talvez, por enquanto,
E me odeia como quem beija,
Um louco jogado pelos cantos.
Oh! Loira do timbre de ouro,
Tão suave, tão estranha,
Deseja-me, por espanto.
Só! Não me ama, pois sou santo
com um diabo no corpo, não diferente de tantos.
Ama-me, mas de um jeito pouco.
Amor  mesquinho,
Desses que se encontra solto,
Em qualquer esquina.
Odeia-me mais, não tenho dúvidas.
Deseja-me, não sei por quê?
Diz-me que me ama, assim, desse jeito,
Do jeito que podemos ser,  
Assim, embora fraco,
Embora miserável!
Embora castigado.
Amor meu!
Amo-te, de um jeito tão estranho,
Assim: te querendo hoje  aqui,
Amanhã, tão distante.
Talvez, mais miserável do que eu,
só meu amor, que vive mendigando o seu. 
Amor estranho esse meu,
Mas quem haverá de dizer que não amo,
Ainda que por enquanto.
Tudo isso pra dizer:
Que amo-te, apesar de tanto!    

Samuel Ivani 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

É só mais um conto que eu conto




O grande general 


Mal se entendeu por gente, e movido por aventuras contadas, ouvidas nas ruas, já descobriu o que queria ser da vida. Aquele menino sortudo, não passou por crises existenciais, tão pouco por momentos vazios em que a maioria fica tentando descobrir que carreira deve seguir, ou que rumo deve tomar na vida para encontrar a felicidade. Não! Aquele menino tinha convicção do que queria; queria ser general da mais alta patente.  Também pudera, nascera ele em tempos de guerras.  O que não lhe faltaria eram oportunidades.

Era aquele menino filho de um oficial do exército, pelo que, não havia assunto em sua casa que não fosse  à peleja diária das nações na conquista de territórios. Desde muito jovem, depois dessas convicções, passou a interessar-se por tudo relacionado a guerras e batalhas. Passou a Juntar todos os folhetos que via nas ruas a fim de estar sempre por dentro dos últimos acontecimentos. Colecionava matérias de jornais. Ficava atento a todos os assuntos dos adultos. Ouvia com atenção as notícias de batalhas, de territórios conquistados, de perdas amargadas pelo o império, de estratégias tomadas pelo os generais para avançar no território inimigo.
Ele ficava emocionado quando um ou outro narrava às estratégias brilhantes de generais que terminavam em vitórias  esmagadoras sobre os inimigos, quase sem baixas para o império. Quando alguém narrava os discursos brilhantes dos generais, quando estes,  iam repassar as ultimas notícias ao imperador, seus olhinhos brilhavam de tanto sonhar. 

Tanto ficou ele empolgado com a ideia, que ao longo de poucos anos, já tinha escrito discursos, desenvolvido estratégias de como usar a geografia do terreno, as árvores, os rios, as pontes, como uma vantagem para os batalhões que comandaria. Tinha pensando o quanto seria duro com os cabos, para que não fosse instalada a indisciplina sobre seu comando. Tinha  escrito discursos motivadores, de modo que todo o soldado em sua tutela morresse e matasse em nome do seu imperador com honra. Pensou em diversas conversas impressionantes que teria com o imperador.  O menino, ao passo que ia crescendo, tanto tornou esse objetivo sua vida, que desenvolveu sua oratória ao máximo, seu patriotismo, seu amor ao império e o imperador. Fez  da sua vida, aquele objetivo de torna-se o maior general que seu país já havia visto em toda a história.   

Já muito antes de torna-se saldado, já tinha o menino, ares de general. Irritava-se ele, quando via soldados difamando a pátria enquanto se empanturravam de Vodka. Queria discipliná-los os ordenando juntar dejetos de cavalos nos estábulos para  que adquirissem respeito à terra que os alimentava.   Sempre que alguém relatava derrotas do império durante uma conversa, embora não emitisse sua opinião, ele desenvolvia estratégias  de si para consigo, que, ao certo, acarretaria na vitória eminente, isso, com ele no comando das tropas.

Para aquele menino, a maioria dos generais eram todos idiotas e sempre tomavam decisões erradas. Principalmente aqueles que ele  conhecia pessoalmente. Pensava ele que não se fazia mais generais como antigamente. Porém, com ele, tudo seria diferente. Ele sendo general, levaria o exército de sua nação a conquistar territórios jamais pensando pelo os mais otimistas do império. O garoto de tanto sonhar, também não descartava a possibilidade de se tornar,  em pouco tempo, imperador, pois talento para tanto, ele tinha convicção que possuía.        

Quando atingiu a maioridade, o jovem ciente do que queria se alistou no exército.  Pensava ele que com o conhecimento que tinha de guerras, ele teria vantagens imensas em relação aos demais jovem soldados.  Mal iniciou os treinamentos e mais uma guerra estourou em seu país,  e o império se viu obrigado a recrutar o maior número de soldados possíveis para a linha de frente para defender as fronteiras de seu território que estava sendo atacado por uma nação inimiga.

O jovem soldado inexperiente, pensou consigo mesmo, que aquela era a sua oportunidade de demonstrar ao mundo e ao seu batalhão o  talento que tinha para general. Dirigiu-se sob o comando de um general qualquer que, segundo ele,  mal conhecia de guerras, em direção ao campo de batalha.
No campo, já bem próximos dos inimigos, os soldados inexperientes foram instruídos a ficaram entre os flancos da esquerda e da direita, para que ficassem protegidos, pois ainda não tinham treinamento para que se dispusessem na linha de frente, tão pouco nos flancos, pois era sempre por onde os inimigos iniciavam o ataque. O jovem, crente que a estratégia do seu general estava completamente errada, e ciente que suas instruções seriam de grande valia, decidiu que ia ter com o general para lhe passar seus valiosos conselhos.

Mal a batalha iniciou-se, entre os assovios das balas dos inimigos, ele deixou seu posto, e abrindo caminho por entres seus companheiros, rapidamente, ele  chegou à linha de frente; desprotegido e entre as balas que tilintavam nas árvores, ele se dirigiu ao general com toda a sua velocidade. No entanto, antes que pudesse proferir palavra que fosse uma bala atingiu-lhe o peito em cheio, fazendo  com que caísse desfalecido naquela terra que tanto o alimentou. 
Deitado ali, a  vida passou diante dos seus olhos; todos os seus planos, todos aqueles discursos, aquelas medalhas em que ele sonhara. Pensou naquelas vitórias honrosas que ele teria se tivesse tido a chance de ser general. Viu todos os elogios que ele havia pensando que lhe eram certo no futuro, pois ele tinha talento para a guerra, logo, o povo de seu país iria, com certeza, ovacioná-lo.   Tudo que ele havia pautado toda uma vida havia lhe sido tirado injustamente em poucos segundos. 

Pensou ele: “como podia aquilo estar acontecendo?  Tanto que ele havia estudado, tanto que ele conhecia de todas as guerras da história, e naquele momento, tudo se desvanecia nos milésimos de segundos que uma bala leva para atingir o peito de um homem. Concluiu ele que a vida era de fato injusta.”  

Eis que, seu mundo escureceu, passou a não mais ouvir o barulho das baionetas que seguiam úteis naquela guerra; elas, embora sem vida, eram úteis, enquanto ele, coitado, era inútil e morria, não servia mais para nada. Seu sonho de se tornar um grande general se acabara ali. Sentiu o jovem sonhador a bota do soldado último que o pisou, enquanto avançava sobre o seu saudoso exército rumo a qualquer fim que para ele pouco importava. E fora essa, a última sensação que o grande general futuro sentiu.

Aquele jovem,  de fato tinha grandes chances de se tornar um grande general, talvez até imperador, porém, esqueceu ele, que para que viesse ser um grande general ele tinha que,  primeiro, ser um pequeno e cauteloso soldado.   


Ás vezes, sonhos demasiadamente altos podem levá-lo a constantes frustrações, senão acompanhados de sabedoria e paciência para enfrentar os primeiros degraus ainda em terra firme. 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Uma última carta ao amor




Uma última Carta ao amor 

Sentou-se ele sobre um tronco qualquer, em um lugar qualquer de cores simples. Era ali, o perfeito cenário de um quadro mixuruca, daqueles que se ver pendurado por um prego numa parede suja de uma casa de quatro cômodos. Um quadro sem aquelas misturas de cores, sem aquele requinte necessário a uma obra de arte. Afinal, sua vida era mesquinha e de arte tinha pouco ou quase nada. 
Aquelas cores simples, lhe seriam o cenário em que ele escreveria sua carta de amor. 
Aquela carta, não seria destinada alguém que ele ama, também não a um amor do passado, tampouco, a alguém que por ventura tenha o amado. Não. Esta carta seria destinada ao sentimento amor, que por alguma razão, depois de um tempo, resolveu partir. 
Afinal, o amor é como um sopro, que depois de proferido, senão mantido a plenos pulmões, deixa de acalentar qualquer coração que ama e, são poucos aqueles com fôlego para mantê-lo na mesma intensidade um longo período de tempo. Porém, há grandes chances que aquele que o recebe  adormeça, e a partir daí, nada mais importa, pois em um mundo de sonhos, qualquer coisa lhe parece amor.
 Iniciou ele a sua última carta ao amor: 

Olá!

Espero que esteja bem! 
Não entendo porque se foi... 

Ah amor! Julgava-me, sem sombra de dúvidas, a pessoa da qual mantinha uma relação intensa contigo e, tinha como certo, que jamais nos afastaríamos a tal ponto que desvencilhasse de mim todo e qualquer sentimento. Mas sinto-me vazio. Enganei-me contigo. Tanto que te ovacionei, tanto que fiz de ti todas as razões que achava que tinha. 

E veja, olhe bem, não carrego mais aquele brilho nos olhos. Não torno mais qualquer música trilha sonora de uma vida a dois. Sinto-me só. Bem. Sozinho eu sempre estive, porém agora, sinto-me solitário. Tu se foste, talvez como uma forma de me castigar pelo o fato de nunca ter aprendido a viver os amores que senti. 

Não! Não venha culpar-me por algo que foste tu o responsável. Quem mandou manter uma relação tão intensa comigo que fazia de qualquer fagulha de sentimento um amor típico dos romances utópicos da idade média. Bem devias saber tu, que nesta época que vivo, não há mais cervos para que eu saia numa caçada heroica, tampouco, leões, que possam atacar os cervos. Muito menos, se encontra em qualquer esquina princesas indefesas, para que eu pudesse salvá-las dos cervos e dos leões e me tornasse para sempre a razão de suas vidas. O mundo real é bem mais simples, embora seja também mais sem graça. 
Tu falhaste comigo. Deveria ter se mantido a uma distância razoável de modo que não impedisse a razão de dar palpites nos meus sentimentos de vez e quase sempre. Vejo-te como um egoísta. Que custava deixar a razão no controle e tu surgisse apenas em momentos estratégicos, assim como acontece com a maioria das pessoas? Não, tu tinhas que me tornar um sonhador, um Don Juan de Araque, que via em todo sentimentozinho mesquinho à chance de viver um amor de cinema. Amores de cinema não existem! O amor real e possível de ser vivido é muito simples e tu bem sabias disso. 

O amor real é assim: duas pessoas se conhecem, aprendem a se gostar ao ponto de julgar que a companhia um do outro seja indispensável, então resolvem tornar isso realidade e juntam as escovas. Tudo isso impulsionado por tuas flechadas. Passam a viver juntos, e com o passar do tempo, se acostumam, então, tu amor, vais embora sorrateiramente. Porém, muitos acostumados com a rotina, nem percebem que tu se foste. Mas bem sei que tu sempre vais embora mais cedo ou mais tarde, embora retorne uma vez ou outra, mas eu bem sei que tu não ficas eternamente. Só fica no início, depois que fisga os tolos de vez, se vai. Tu és um maldito cúpido traiçoeiro. 

Agora eu espero sinceramente que depois de tamanhos disparates que cometeste durante a nossa relação, tu não me apareça disfarçado de um sorriso qualquer, ou na forma de uns cabelos longos deslizando sobre uns ombros sem graça, ou camuflado de um olhar de carência, desejando ficar. Não, comigo não. Eu cansei desse amor que em mim viveu todo esse tempo. Ora, de nada me serviu. Que fiques bem distante, e não retorne disfarçado noutro amor mesquinho, pois julguei que embora sinta falta, às vezes, vivo melhor sem ti. 

Espera! 

Embora me pareça que essa carta seja, na verdade, um pedido desesperado para que retorne. Ou pior, tu que nunca se foi, me impulsiona a escrevê-la.

Desgraçado! Quão sorrateiro és! Mas não me renderei. Fique bem longe, ai mesmo, para onde eu penso que fugiu. 

Passar bem! 










Samuel Ivani

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Filosofia da simplicidade: a igualdade tola



Filosofia da simplicidade: a igualdade tola  


Me pego a pensar que o ato de generalizar e separar de acordo com aspectos externos dos homens tornou-se algo comum e banal e, com isso, não percebem o antagonismo que há nesses atos instintivos se tratando da famigerada luta pela a igualdade. Grupos se generalizam e posteriormente, segregam-se de acordo com característica que os define segundo um padrão geral externo, colocando as individualidades inteiramente de lado.  

Veja que este é um erro da democracia, da luta pela a liberdade tão aclamada ao longo dos anos. Pois os homens se generalizam por critérios externos, embora digam que tais características não os definem e,  mesmo assim, contrariamente, buscam a igualdade. É-me incompreensível tal ato. Os homens amam a segregação, pois, mesmo buscando a liberdade, sempre lutam divididos em grupos; dividem-se por sexo, cor da pele, preferência sexual, por classe social, por ideais..., e mais uma lista quase que infinita. 

E nessas de ser a minoria, entram em uma luta quase que psicótica por uma igualdade que não tem nada de igualdade; desejam mais é que sejam elevados ao topo do mundo com facilidade, pois se acham especiais, pois fazem parte de uma minoria, embora essa minoria não seja em números, e sim, em ideais humanos, no caso da luta feminista.    Todas as teorias desenvolvidas a respeito da luta por certo grupo social, cujo um dia foram essenciais, hoje, referindo-me a países democráticos,  são elas totalmente inúteis.   Ora, em cada grupo separado pelo o homem, possuem aqueles que têm talento, e aqueles que não têm. Não necessariamente todas as mulheres sonham ou possuem capacidade ou aptidão para serem advogadas ou atrizes... 

Em uma sociedade, supostamente livre, são poucos aqueles com talento suficiente para se destacaram em um mundo competitivo. A vida é muito simples. Não podemos julgar que as nossas capacidades sejam compartilhadas com todos que partilham uma mesma característica física conosco. Isso me parece, não respeitar as diferenças. E para se atinja o princípio básico da igualdade e liberdade, requer o respeito às escolhas e as diferenças. E, mesmo assim, certos líderes de alguns grupos, querem inserir nos seus supostos semelhantes, a ideia de que merecem e devem lutar por cargos que eles se julgam capazes de conseguir. É um erro e, parece-me à fórmula perfeita para infelicidade e insatisfação.                                                                                                                                       

Aqueles que desejam e possuem capacidade, conseguem o que desejam. É fato. Aí, vem um revolucionário qualquer, protetor das minorias, e diz: “mas muitos não conseguem porque não tiveram educação e, portanto, merecem hoje, terem mais facilidades porque não lhes foram dada as mesmas oportunidades.” 
Retruco: “a educação hoje, embora muito defasada ainda, já pode ser buscada por todos, o que ocorre é que, muitos simplesmente não buscam.”

Numa sociedade democrática, requer apenas que cada um lute e busque o que deseje e quem tiver capacidade e força de vontade conseguirá, quem não, é se conformar com a mediocridade.  E mesmo, tudo é tão relativo, o que pode ser considerado algo medíocre para uns, para outros, sendo a mediocridade, relativamente, o máximo que se pode alcançar, é considerada o céu.    Os medíocres desconhecem a mediocridade. Com essa frase eu estou comparando os homens ao todo, porém,  cada pessoa possui sua capacidade individual e não deve ser comparada a outro individuo. Não podemos exigir que todas as aves alcem voos tão alto como as águias.                                                                                              

  Não importa se é negro, homossexual,   mulher..., quem possui capacidade e busca, embora não consiga aquilo que deseja na proporção desejada, garanto-lhes que consegue o respeito. E também todo homem apenas consegue aquilo que o seu talento proporciona. É um erro irracional  impor que os homens voem, sabendo que  nem todos possuem asas.  
Não há necessidade nenhuma que ditem o papel de cada grupo de humanos na sociedade, pois independente de tudo, a vida segue. É tudo muito simples. 

Bety Friedan, no livro intitulado "a mística feminina," evidenciou o papel da mulher na sociedade americana na década de 50 e 60, em que apenas tinham como obrigação e prazer, cuidar da casa e dos filhos, portanto, frustrando aquelas que desejavam mais. A autora notou que aquela imposição gerava insatisfação nas mulheres letradas que sentiam-se capazes de ir além daquele papel limitador. Ela estava correta, no entanto, ela, mais uma vez, cometera o mesmo erro, pois o fato dela ter exposto aquilo, de certa forma, mais uma vez quis impor um novo papel as mulheres, e isso, com o tempo, naturalmente gera uma nova insatisfação. Qualquer imposição, por mais prazerosa que seja de inicio, como o tempo, sempre gera insatisfação.  A formula, é simplesmente deixar que a vida siga seu curso natural, sem intromissões, cada um com seus anseios e sonhos e seu, conseguinte, papel ditado pelas as suas capacidades.  Nada além. Os homens acham-se sábios, e se intrometem demais. 

Deixem os homens livres para buscarem, assim, será alcançada a tão sonhada igualdade. Difícil é, no entanto, fazer com que compreendam aqueles que nasceram para lutar, que a maioria prefere apenas continuar vivendo. Aí se encontra o grande impasse para a igualdade sonhada.  Simples assim.   Deixem os homens com suas diferenças, pois delas é que surge a razão e continuidade da vida humana. 

Esses escritos lhe parecem retrógrados, medíocre, indignos dos tempos modernos?   Ah, meus caros, os medíocres não reconhecem a mediocridade.


Sabe o que eu penso de verdade: todas as mudanças que já houveram independente de tudo, haveriam ocorrido do mesmo jeito, sem as teorias sociais, sem a filosofia, na sua tola tentativa de compreender o homem. A vida segue o ciclo ditado pela a natureza, os homens, coitados, numa ânsia pelo o controle é que têm a sensação que tiveram algo haver com isso. As mudanças sociais são amplas demais para que sejam ditadas pela uma ideia humana. 
No fundo, os homens, buscam apenas a ideia que  merecem e que podem, buscar a qualquer hora,  a imensidão dos céus, mesmo tendo a certeza que jamais à alcançará.  A filosofia, nada mais é do que isso: uma ideia de conforto inútil aos fortes.   

Mania que eu tenho de pensar qualquer coisa, mesmo ciente que a vida é muito mais simples quando não se  pensa em nada. 

Samuel Ivani 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Tão inútil aos homens

                 
  
              
Amei! Como eu amei!
Não houve alguém no mundo que,
carregasse tantas paixões de uma só vez;
amei a música, a solidão,
a multidão, a beleza humana.
Tanto amor, pra quê?
Não me encontrei em lugar algum,
Mas estive em toda parte.
Eu não sou daqui!
Não vim para aqui!
Quem me trouxe estava completamente errado.
Resolvi viver, intensamente, poucos momentos,
E nesses instantes tirei-me o dom da vida.
Troquei anos por momentos,
Valeram apena!
Digo que valeram apena.
Por isso os bons morrem jovens.
Ah! Tempo?
Quem tem tempo para desperdiçar
Vivendo uma vida medíocre.
Vivi intensamente.
Derramei lágrimas de amor,
Sangrei minhas benditas cicatrizes,
Aquelas que eu criei do nada.
Hoje, mas que as paixões,
carrego dores. Não dores metafísicas;
Dores físicas,
Essas que matam os homens.
Valeram apena.
Digo que valeram apena.
Eu devo ser uma estrela, cuja fora notada
apenas no momento em que desaparecia.Uma estrela cadente,
tão inútil aos homens, vista por poucos,
E, mesmo, estes que viram,
coitados, não tinham bolsos.
Tolos sem imaginação!
Mas, amei!
Ninguém dirá que não amei.
Amei a minha terra, meus conterrâneos do passado,
Os heróis, defensores dos impérios.
Os homens de hoje, porém, tão indignos,
não ama o chão que lhes mantêm de pé.
Quão triste é essa época que vivo.
Quão tristes são esses disparates que escrevo,
Mas preciso, senão dirão:
“Ele se foi, porque escolheu não seguir a maioria em suas crenças.”
Não foi por isso.
Mas, como as estrelas,
Deixarei o meu brilho,
para aqueles que ainda possuírem bolsos.
Fui feliz, não brilhei tanto quanto desejei,
Porém, fui feliz.
Quem disser que não,
não me viu, não me compreendeu.

Samuel Ivani 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Beati, qui audiunt

                            



Tanto tempo que não me perfumo,
não faço a barba, não ligo pro cabelo.
Vivo só, sem rumo, sem ninguém,
sem lugar nenhum pra ir,
sem lugar nenhum pra ficar.
É tudo tão o mesmo;
Tudo tão estreito e ao mesmo tempo largo.
Ao passo que vivo só, sinto-me do mundo,
das árvores, das águas,
quer sejam turvam, quer sejam claras.
Sinto-me do céu, dos ventos,
da noite, da solidão, das carícias,
dos açoites, da escuridão.
Mas de gente? De gente não.
Não sou de ninguém, as pessoas machucam.

Há tempos deslizo-me rumo ao fim,
ao mesmo tempo em que,
sinto um profundo desejo que a vida inicie,
pois ainda não me indicaram com um estouro que
devo iniciar a partida.
Sinto-me ninguém e, ás vezes, lenda,
impossível de ser esquecida,
embora não cative nem uma lebre,
mesmo que a salve de ser presa de um lobo
tão cruel quanto minhas feridas.

Faz tempo que, canto aos loucos, canto aos poucos,
sem melodia, sem poesia,
profiro um zumbido que nada diz,
aos poucos com alma humana
destituída da beleza da magia.
Bem aventurados aqueles que me ouvem,
pois destes partem o entendimento da vida.
Sou puro, humano, nada além,
sem nem um resquício de sobrenatural,
sonho e só, como todo mundo,
em tornar o meu mundo mágico e antinatural,
é tão humano.
Acabo de crer que não passo de um terrível engano,
Não diferente de tantos.


     Samuel Ivani