domingo, 29 de junho de 2014

Apoético


Nunca foi poesia. 
Sempre foi uma forma de dizer-te
Qualquer coisa que não és capaz de compreender,
Com gestos. 
Ou mesmo, ouvir e reagir como desejo.
Dizer, eu digo o tempo inteiro,
Afinal, nunca fui de esconder.
Tu que não me ouves,
Tu que me ouves e chora
Depois que, sinceramente, me deixa perceber
Que não se importou.   
Afinal, nunca gostei daqueles poemas.
Palavras. Nada além de palavras,
 Sonoramente bem perfiladas, mas que pouco dizem.
Poesia pra quê? Se tudo que eu queria dizer cabe
No silêncio de um olhar.
Se tu fosses meiga como nas fotografias.
Se tu fosse ao meu lado
Quem é de verdade sozinha.
Se teus gestos refletissem a meiguice dos teus olhos
Eu não necessitaria dessa tão inútil poesia.
Eu não necessitaria de palavras,
Pois meus gestos já seriam o suficiente.
Carregas consigo a culpa de minha poesia
Carregas consigo as razões delas não serem belas
Afinal, se eu não tivesse que dizer-te
Qualquer coisa sempre, poderia melhor escolher as palavras.
Poderia dizer eu te amo em todas elas,
Não teria receio, pois não amando,
Diria o tempo inteiro, sem remorsos.
Ainda carrega consigo a culpa por minha descrença no amor,
Ao menos aqueles vividos.
Na verdade todo tipo de amor.
Disse-me que não precisamos amar pra ser feliz
E como aprendemos a gostar de tudo que diz,
Que faz e, ironicamente, tudo que gosta as pessoas que amamos
Tive que crer em tudo isso.
Agora, sem muitas razões,
Nem dizer-te algo,  desejo tanto.
Talvez, um dia, justamente, 
quando me encontrares escrevendo para outra pessoa
Tu sintas a culpa por não ter sentido as minhas palavras
E correspondido com gestos, meus gritos. 

Samuel Ivani

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ideias sobre o futuro e presente inspiradas no texto de Heidegger

Esse texto diz muito sobre os tempos de hoje, vale muito apena  ver esse vídeo. 




É, Chegamos aos tempos relatados no poema... E se já não perdemos nossa essência, não se demora a acontecer; mas penso que talvez não surjam as questões relatadas no texto, simplesmente porque não haverá mais quem se importe com as respostas, logo, não mais desenvolverão as perguntas. 

Trágico. Os homens buscarão suas razões nas máquinas, e esquecerão de quem são. Como já disse antes, caminhamos pra irracionalidade, pois daqui uns anos, pensar já não mais será uma característica essencial para a sobrevivência da espécie. Tenho toda uma teoria a respeito disso, mas não relatarei aqui... Oras, dizem que todo escritor precisa acreditar em algum absurdo e torná-la real e lutar com veemência para que muitos acreditem na sua verdade. 
Eis a minha verdade absurda: caminhamos para a irracionalidade. E se me perguntar como surgiu essa verdade em minha mente, respondo sem pestanejar: "muito simples, eu criei." É eu criei. Analise-se, e conte quantas verdades vem em sua mente nesse momento, apenas aquela que vier em sua mente agora. Digo-lhes que noventa por cento dessas verdades lhes foram impostas por terceiros, ou, você as criou, não do nada, de alguma outra verdade que lhe foi imposta anteriormente. Pense, se fores capaz, e conclua que vemos apenas aquilo que as pessoas que detém o poder nos impõem. Essa alienação sempre houve, agora o mais grave é que, tudo que é relatado no texto está acontecendo agora.   
Hoje, já vemos um esportista como esperança de uma nação, já vemos cifras em dinheiro ser sinônimo de sucesso, e não mais a questão humana e de caráter. Já vemos o mundo conectado, e cada vez mais, uma única pessoa pensa por milhões. Já não nos atormenta as questões existenciais, não como antes, vivemos aceitando as tecnologias e simplesmente usufruindo de suas inúmeras vantagens, quando muito, tentamos compreender as máquinas, mas não mais tentamos nos compreender. Porque tudo faz sentindo; vivemos pra ganhar uma pseudo aprovação dos outros nas redes sociais.  E o sentindo da vida é ser diferente e ousado o suficiente para ganhar mais curtidas.  Medimos o sentido da vida nos comparando uns com os outros, por meio de números de cliques em determinada ação virtual. A vida real se resume a registrar em diversas mídias, a batalha consciente em um mundo surreal que chamamos de internet. 


Até a literatura, que antes dizia muito sobre o homem, sobre sua essência,  transcrevia suas questões, suas mazelas, e que muito proporcionava a compreensão desse bicho que se julga tão complexo que são os humanos. 
Hoje, o que se vende  e é disseminado no mundo é uma literatura de mundos surreais, distante da realidade e que pouco servem para se compreender o homem em sua forma mais pura. Não há nesta que chamamos de literatura fantástica, o que se via em As viagens de Guliver de  Jonathan Swift, e outros exemplos em que os autores  se utilizavam de sátiras e metáforas,  para criticar uma sociedade hipócrita e de moral controversa de sua época, e assim, se dava sentido real aquelas suas alucinações, e proporcionava a diversão; tanto quanto pela a compreensão do subentendido do enredo, quanto pela  a história fantasiosa e graciosa do livro.   Hoje o que se enaltece, são histórias surreais, de heróis fantasiosos em que se predomina, quase que invariavelmente, uma evolução gradativa de personagens em relação a uma pseudo espécie inferior, pois só assim, torna-se nítida a tal ascensão, já que tudo é permitido se tratando de um mundo mágico, e  que não proporcionam  a compreensão da personalidade humana. 

E não se enganem, hoje ainda não podemos dizer tudo que queremos abertamente, portanto, não é por esta razão que quase não vemos literatura em sua forma pura, como os bons e velhos clássicos, ao menos não comentadas nas redes sociais e nas  mídias de massa,  Eu adoro o realismo fantástico, no entanto, gosto de vê-los em filmes e vídeo games. Para livros,  eu prefiro aqueles que me passam realidade, que transmitem vida, que me permite compreender, na medida do possível,  esta causa perdida que é a vida humana.  Julgo a leitura algo  intenso e profundo, e é desta compreensão, que encontro o prazer em lê.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Concreto de sonhos


Há quem sonhe com coisas simples.
Há quem sonhe com coisas complicadas, ou coisa nenhuma, querem mais é sonhar... 

Há quem sonhe com a vida dos outros, com os olhos dos outros, com os amores dos outros. Deviam eles, se realizarem com as realizações destes, mas não, afinal, sonham os sonhos do outros, mas sempre acordam com os próprios olhos. 

Há quem não tenha nada, e carregue consigo um milhão de motivos pra sonhar, e sonham, demasiadamente sonham, e realizam quase sempre. Quando não, são milhões mesmo, um ou outro não realizado, não faz diferença.
Há quem tenha tudo, e apenas um sonho: não perder o que tem.
Não os julgo, são seus sonhos realizados, nada mais justo... Mas a vida sem sonhos, principalmente aqueles quase utópicos, não tem muita graça.
Há quem ame sonhar por sonhar, sem realizar, quando muito, realizam apenas em suas mentes, e isso basta.
E há quem se realize sempre e esquecem de sonhar, na verdade, esquecem de viver...
E finalmente há quem sonhe por amar. Estes vivem de sonhar, ou sonham de viver, difícil de dizer.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Desvendei uma ilusão



Em meio aos meus amores, desvendei uma ilusão
É! Em meio aqueles meus amores platônicos
Aqueles não vividos,
Aqueles que eu não amei
E também aqueles que me amaram
Eu encontrei uma ilusão
Obviamente, disfarçada de amor.
E depois de encontrá-la, solitária,
Perdida em meio a meus amores
Que julgava verdadeiros.
Ao analisar, minha solitária ilusão,
Descobri que, todos..., todos os meus amores
Eram ilusões...
E eu, pobre coitado, vivia iludido.
Talvez um ou outro não fosse,
Mas conheci as ilusões e,
Perdi a capacidade  de identificá-los
Eu sei que há um amor eterno pra cada coração partido
Mas há, em contra partida, um bilhão de ilusões
Pra cada coração que ama...
Há o amor, pra queles que negam
Há,  inclusive, numa proporção maior
Do que pra queles que se entregam...

Mas ilusões, essas há em um número infinito...
Pra todos aqueles que amam, e muito além,
Pra queles que negam...
Sei que, ilusão ou não,
Pra mim, são todos verdadeiros... 
S. I

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Cânticos



Uma noite qualquer, eu cantei para uma estrela.
Ela, eu não sei por que, demonstrou indiferença,
Não intensificou seu brilho, assim como eu havia pensado.
Então cantei pra uma cigarra.
Esta, por sua vez, endiabrou-se, e cantou com tanta força
que ofuscou meu canto, cantando sempre mais alto...
Resolvi cantar para uma formiga,
Mas ela sempre ocupada, sempre sem tempo,
Não parou pra mim ouvir...
Então, cantei para um pássaro poeta
Este se inspirou nas primeiras notas de minha música,
E deixou-se levar por uma nova composição
e foi compôr sua própria poesia.
Então, resolvi cantar para um pássaro canoro
Ele, em sua humildade, decidiu me acompanhar na melodia
E cantou tão belo, tão magnífico,
Que me emocionei e resolvi apenas ouvi-lo.
Então, resolvi cantar pra uma joaninha apaixonada.
Esta, nas primeiras notas, caiu em um profundo pranto.
Eu, em minha sensibilidade, resolvi não causar mais tanta dor
E parei de cantar...

Depois de tanto me frustrar
E não encontrar alguém para ouvir meu canto,
Irritado com a vida, resolvi cantar para uma serpente.
Ela, lindamente, deixou-se levar pela música,
Mesmo contra todas as expectativas
E até dançou enquanto eu cantava.
Depois de um tempo,
Descobri que serpentes são surdas.
Então resolvi cantar pra mim mesmo
E esperar alguém que buscasse me ouvir;
Alguém que se encontrasse
necessitado de música.
Então cantei, cantei, demasiadamente,
Até não conseguir mais...
Depois que não pude mais cantar
Todos buscaram me ouvir,
Mas eu já não tinha cordas vocais.


Samuel Ivani

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O verdadeiro sentido da vida



    Somos individualistas... O resto são estratégias da natureza para perpetuar a espécie. Agora nós é que damos diversos nomes para essas estratégias, como um modo de fugirmos do fato que somos animais, e não criaturas com razões místicas especiais. Somos parte da natureza, e inconscientemente(ou não) ela nos domina. Parece-me que o sentido da vida humana é a busca constante por formas de se negar este fato. Talvez Dostoiévski estivesse certo quando disse que o verdadeiro sentido da vida é correr atrás de algum objetivo, que depois de atingido, não mais é vida, e sim, princípio da morte. Talvez já tenhamos atingindo nossos objetivos.                                             


Como dizem: a vida é uma causa perdida. Somos meros elos de uma corrente chamada natureza em que temos como único objetivo; fazermos a nossa parte para que nossa espécie não entre em extinção,(reprodução e formas de garantir a sobrevivência da prole) ainda que essas estratégias acarretem na extinção de outras espécies, mesmo que,  estas,  sejam essenciais para a nossa sobrevivência. Esta é a prova que precisamos para vermos o quanto a natureza é egoísta, mesmo com todo seu comensalismo e relação mutualística entre espécies, logo, não podemos fugir do individualismo. Podemos perceber que para qualquer ser vivo, reprodução e a garantia de sobrevivência da prole é o principal objetivo. Não é a toa que muitas plantas passam todo o seu ciclo de vida, acumulando energia para produzirem estruturas para atrair polinizadores(flores) e que depois de atingido seus objetivos, morrem. Vivem para se reproduzirem. Nós humanos não nos distanciamos deste fato. O que fizemos foi inventar vários nomes diferentes para estas estratégias( amor, paixão, casamento...) para negarmos a nós mesmo que não somos dominados pela a natureza, e sim,  nós que a dominamos, assim como é descrito nas escrituras sagradas(bíblia).                                                                                                           



A vida é muito simples. Somos parte da natureza, assim como qualquer ser vivo. Temos um papel a cumprir dentro de um ciclo maior, no entanto, os homens estão se excedendo em seus objetivos; estamos indo além... O que me leva a crer, que com o passar do tempo, não mais representaremos um papel crucial para a vida na terra, talvez já não mais representemos, então teremos os mesmos fins das pragas. Pois em nossa ignorância, assim como as pragas e os parasitas, esgotaremos todos os nossos recursos, fato que nos levará a tão temida extinção. Ou a natureza nos força a retornarmos a irracionalidade, ou nos destruiremos.   Acho que já nos encontramos no princípio da morte, depois de termos atingidos nossos objetivos, no entanto, a natureza é cruel e permitirá a autodestruição, e pior, inconscientemente, em nossa busca incansável para sobrevivermos cada vez mais.  

Não tenho dúvida que a ideia de Deus surgiu na mente do homem baseada na natureza selvagem; não é à toa a sua personalidade inflexível e sádica, e o fato de muitos tornarem deuses os elementos da natureza. Mas já estou me excedendo em minhas reflexões, este é assunto para um livro de um  número eterno de páginas...  


Samuel Ivani    

sábado, 14 de junho de 2014

Príncipe


Vives tu, tão soberbo em tua aparência
Tão filho do rei, tão amigo dos príncipes
Tão perto das estrelas, sempre de regime.
E dentro de si mesmo, em decadência

Vives tu dos olhares dos outros
Tão lírico e suave; livre, sem arreios
Tão repugnante aos erros alheios
E dentro de si, apenas calabouços

Não caminhas em meio aos fracos
Mas caminha! O tempo é sempre tempo
Corre, e não escolhe cara ou soberba

E há menos que o leve ao esquecimento
Olharás pra trás, e não verás a si mesmo

Verás apenas, o tempo desperdiçado... 
                          
                            S.I 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Menino



Olhei para dentro de mim.
Olhei porque cansei de olhar pra fora
 E não me encontrar.
Olhei porque me faltaram  opções.   
Mas o que eu vi, talvez não fosse mais eu...  
Aqui dentro, vi
um menino de cócoras,
Solitário, em uma eterna noite de lua.
Aqui estava ele, ou lá, em uma grande clareira.
Ele parecia tão distante!
Parecia tão solitário!
Um menino magro,
Com um shortinho verde,
Fazia círculos com o indicador
Na fria areia  da noite. 
Só de olhá-lo pude ver que muito lhe faltava.
Devia ele sentir fome
Devia sentir medo.
É! Mais do que fome ele tinha medo
Tinha medo das estrelas cadentes
Tinha medo dos extraterrestres
Medo dos lobisomens  
Ora, também pudera;
Os lobisomens o espreitavam dia e noite.
Ao menos eles o atormentassem
Apenas em noites de luas cheias.
Mas não! 
Os lobisomens o assustavam todo dia...
O garoto não tremia de medo
Parecia que já se encontrava entregue;
Fugir não seria possível...
Lutar tão pouco.
Então esperava ele ser devorado
Esperava que seu sangue fosse sugado
Era  inevitável.
Aquele menino, naquela clareira
Girava o indicador na fria areia da noite
 De cócoras, talvez estivesse triste...
Ele olhava apenas  para os círculos
Que fazia com as mãos
Este era a único ato que o protegia
Qualquer coisa que olhasse diretamente,
Mesmo as plantas lindas durante o dia
Seria bem possível, que durante a noite, se transformassem
Em monstros que ele já conhecia...
Ele era pequeno demais
Fugia de tudo fechando os olhos.  
Eu o via apenas de costas
Bem que imaginava ele chorar,
Porém não via os seus olhos
Mas estou certo que ele chorava...
Olhei pra dentro de mim
E encontrei este menino
Naquela clareira
E há de ele  ficar eternamente lá
Eu, nada pude fazer,
Não pude resgatá-lo
Pois apesar de ter medos diferentes
Não me distancio também de lá...
Talvez ele que tivesse que me resgatar;
Diferente dele, eu não me encontro em uma clareira...
Diferente dele, eu não consigo fugir dos medos
Desviando o olhar.
Olhei pra dentro de mim
E me encontrei distante e sem poder voltar...
S.I


No Valentine's day

Dia dos namorados, esse texto há de servir para lembrar dos nossos atos na adolescência. Daquele primeiro amor, e das suas estratégias simples para exercer um amor de todo o sentido... 

Amor adolescente 


Engraçado como os toques não tocados nos tocam tanto. O quanto na adolescência ou em qualquer outra faixa etária da vida os pequenos gestos nos tornam humanos bobos, mas felizes.

Mais especificamente na adolescência, acontece a melhor das sensações;
Como em um curto espaço de tempo, em algum momento da vida, em que a pessoa que encheu seus sonhos de contos de fadas, durante muito tempo, senta-se do seu lado na igreja, ou no ônibus, enfim, em qualquer lugar.  Dai você olha pra ela, apenas com os olhos, sem girar o pescoço. O seu coração bate forte por sentir a melhor sensação que existe;  a de sonhar noites e noites com uma princesa em meio ao perigo de ser raptada por mal feitores e você, heroicamente, surge e a salva em um cavalo branco imponente.  Depois de sonhar tanto, você a olha de relance sem que ela perceba, então vem aquela sensação, de que aquela princesa de contos de fadas, é real,  que ela existe.  É essa  hora em que o ser humano se aproxima ao máximo de um mundo mágico.  E não existe sensação mais gratificante que essa.
Então, suas vestes naturalmente tocam nas dela. Você sente como se ela estivesse em seus braços entregue a um amor surreal que criou em sua mente.
 Nem de longe esse amor se encontra na mente dela também, mas você não se importa, o importante é que ela estar do seu lado. Você então,  sorrateiramente, mexe o  braço e roça no dela. A sensação é como se estivesse fazendo um carinho com trezentas pretensões adicionais, então você curva o canto da boca, disfarçadamente, na tentativa de conter um sorriso que não quer ser contido.
Então coloca a sua mão sobre o banco,  na tentativa de encostar na dela, porém, você tem medo de chegar muito perto e ela perceba que quer tocá-la e então tirar a mão, e você então, vir a experimentar a pior das sensações: a rejeição 
Você prefere um sonhar solitário, sem que ela perceba, para não destruir seus sonhos surreais e perder aquele momento mágico.  
Eis que, mesmo inseguro, você aproxima a mão mais um pouco, sem nem mesmo respirar. O menor gesto brusco poderia proporcionar uma decepção terrível. Mas você, utilizando apenas os dedos, como um impulsionador da mão, como se só seus dedos quisessem tocá-la, e você não.  (Esta é uma forma de fugir da responsabilidade e diminuir a decepção com a rejeição inevitável) Você então chega ao  limite; chega o mais próximo que consegue chegar das mãos da sua amada. Dai sente como se os pelos de sua mão estivessem encostando a mão dela, sente até o calor da sua pele. Mas é só ilusão,  na verdade está longe de encostar, porém você sente algo tão forte que é como se estivesse de veras tocando nela. 
Então seu  tempo do lado dela acaba, e você fica com outra das piores sensações gerada pela  a dúvida. Você fica se odiando,  por não ter tentado encostar na mão dela de verdade. Ai vem aqueles  questionamentos:
-De repente ela não teria tirado a mão?  Mas se ela tirasse?  Eu, ao certo, não iria suportar a sensação do desprezo da pessoa que amo.   
Em sua mente, o ato de tirar a mão seria o mesmo se ela chutasse o seu corpo no chão sem forças, e ainda cuspisse  na sua cara, com uma expressão de nojo.  É assim que você sente a rejeição na adolescência.
 Por sorte, quando isso acontece,  a sensação só dura trinta segundos, depois você volta a amá-la intensamente, mais até do que antes, pois na adolescência, vivemos só os segundos presentes.  
É tão enriquecedor as experiencias da adolescência, seria bom se todos aprendessem com elas e as guardassem para sempre... Seríamos com certeza, pessoas melhores e mais felizes. 
SAMUEL IVANI. 

terça-feira, 10 de junho de 2014

Sem enganos


Eu não preciso dizer...!
Você é parte de quem eu sou
E não pretendo ser menos eu
Arrancando você de mim.
É muito simples!
Complicado seria esconder, isso sim!
Estranho seria não dizer,
Mas tu foges de mim,
 E amar assim é desperdício...
Amar assim é prejuízo...
Nos fins desse amor sem início
Arrisco-me a dizer que seria justo
Vivê-lo em outros corpos,
Embora seja nosso, embora seja nosso, 
seja sincero...
Não é justo que um amor puro, completo,
Morra assim, de deserto, 
em meio à um dilúvio de espera...   
S.I
Ouça-me:

domingo, 8 de junho de 2014

Tentei fugir pra longe de mim



Eu já tentei fugir de mim mesmo.
Juro que tentei!
Corri, tentei mudar completamente,
Mas sempre que pensava  ter me distanciado
O suficiente,  
 Sempre caía em versões de mim novamente.  
Sempre que pensava ter conseguido,
Me pegava sendo EU, sem perceber.
Pois há tantos de mim.
Arrisco-me até dizer que sou multidão,
Sou um universo... 
Embora não goste da maioria de minhas versões
Não consigo desvencilhar-me delas...
Ah, como eu queria, ao menos uma vez,
Ser como aquele que todos amam.
Aquele que agrada a todos,
Embora saiba que eles não existem.
Mas eu queria ser como eles...
Juro que queria!
É, uma de minhas mais vivas versões
É a de sonhador.
Sou um eterno sonhador...
Sonho no amor que sentes,
Ainda que ele não exista.
Sonho, às vezes, em ser um resmungão,
Quando me canso de ser simpático
Sonho,  às vezes, em ser bruto,
Quando me canso do amor que em mim não cabe.
E sonho... Sonho! 
E é com estes sonhos que tento fugir de mim...
Mas, pelo o que as evidências me impõem,
Eu sou apenas o que sonho...
É, se pudesse me aproximar de uma  definição
De quem eu sou;  
certo que diria que sou uma multidão de  sonhadores...
 Samuel Ivani

OUÇA DECLAMADA

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Hipocrisia

Acabo de encontrar este poeminha em um caderno antigo, logo vi que me encontrava revoltado



Não conterei mais minha hipocrisia,
Serei falso como o mundo merece,
Como a sociedade deseja.
Não terei mais regalias para os fracos
E só enaltecerei quem me enaltece...
Só fingirei que amo quem me ama.
Estou farto de amar a todos e ser um fraco errante.
Estou cansado de limpar mentes alheias
E a minha sempre em meio à lama...
Estou cansado de ser verdadeiro
E amar quem não me ama.
Serei hipócrita na intensidade humana
Nem menos, nem mais que meu “eu” exige
Meu “eu” selvagem e ávido por sangue. 
  
Samuel Ivani  

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Viva


Oh vida!
Dai-me as cores dos amores   
Dai-me as dores dos amores
Dai-me flores
Oh vida!
Dizei-me onde escondeste as flores?
Hei de buscá-las onde quer que estejam
Embora as tenha escondido
No olhar daquela princesa,
Aquela mesmo, que me olha daquele jeito...
Oh vida!
Traz de volta aqueles olhos
Traz de volta aqueles sonhos
Aqueles que eu canto...,
Embora estranhos...
Traz de volta o tempo
Se não der, que crie novos
Ouça-me:
Viva!
Não se mantenha
Mude
Não descanse
Estrebuche
Senão de realidade
Que se iluda.
Mas viva!
Se não de flores vivas
Que sejam murchas,
Se não de muitas cores
Que sejam turvas
Mas viva!
Se não de canto, que uive
Se não de gritos, que escute
Se não de sanidade
Que seja de distúrbios.
Mas viva!
Se não de amores
Que seja de sabores.
Se não devagar
Que seja de estouro
Só não pare!
Viva
Se não de esquerda
Que seja de direita...
Se não de coisas feitas
Que inventemos a receita.
Mas vida, ouça-me:
  Viva! 

Samuel Ivani
Ouça  

terça-feira, 3 de junho de 2014

Há martes que são luas



Há beijos que não foram feitos pra dar.
Há desprezos, que são buscar...
Há esconderijos que são teus,
Mas que me encontro lá
Há desencontros de propósito,
Há encontros despretensiosos,
Há desejos. Isso é o que mais há!

Há martes que tu és lua,
Tardes de sol que és chuva
Há broncas que são ternuras
E me fazem  compreender
Que é fugindo que demonstra candura...

Há eu e você o tempo inteiro
Não há sem você, eu...
Há  sem mim, apenas um pouco de você
E eu sei que de longe, nossas razões se encontram
Nessas fugas, nessas curvas que crias
Mesmo nessa estrada que é sempre reta,
Reta que te leva pra perto...
É que de perto,
Os medos encostam-se a nós
E afastam  a realidade como consequência.

Há razões que se desfazem  na falta
E almas que nascem na presença tua...
Há presença que cansa,
Apenas de pensar na falta que é
A ausência futura...
Há afagos  que são fugas.
Há desprezos que são lutas
Há sois que não há desdém que cubra.
Há martes que tu és  lua
Há amor nessa distância tua...  
                         Não tenho dúvida!                                   
                                                                           SAMUEL IVANI