sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Beati, qui audiunt

                            



Tanto tempo que não me perfumo,
não faço a barba, não ligo pro cabelo.
Vivo só, sem rumo, sem ninguém,
sem lugar nenhum pra ir,
sem lugar nenhum pra ficar.
É tudo tão o mesmo;
Tudo tão estreito e ao mesmo tempo largo.
Ao passo que vivo só, sinto-me do mundo,
das árvores, das águas,
quer sejam turvam, quer sejam claras.
Sinto-me do céu, dos ventos,
da noite, da solidão, das carícias,
dos açoites, da escuridão.
Mas de gente? De gente não.
Não sou de ninguém, as pessoas machucam.

Há tempos deslizo-me rumo ao fim,
ao mesmo tempo em que,
sinto um profundo desejo que a vida inicie,
pois ainda não me indicaram com um estouro que
devo iniciar a partida.
Sinto-me ninguém e, ás vezes, lenda,
impossível de ser esquecida,
embora não cative nem uma lebre,
mesmo que a salve de ser presa de um lobo
tão cruel quanto minhas feridas.

Faz tempo que, canto aos loucos, canto aos poucos,
sem melodia, sem poesia,
profiro um zumbido que nada diz,
aos poucos com alma humana
destituída da beleza da magia.
Bem aventurados aqueles que me ouvem,
pois destes partem o entendimento da vida.
Sou puro, humano, nada além,
sem nem um resquício de sobrenatural,
sonho e só, como todo mundo,
em tornar o meu mundo mágico e antinatural,
é tão humano.
Acabo de crer que não passo de um terrível engano,
Não diferente de tantos.


     Samuel Ivani 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Uma vida normal




Uma vida normal 


O mundo é um grande tolete de merda que gira alheio a tudo. 
Gira e exala seu odor ao mundo, como se os homens já não fossem suficientemente humanos, com suas características próprias, com seu natural desejo de sobreviver, como se tudo não fosse formas de acasalar a nada além. 
O mundo é uma grande merda e eu com essas crises existenciais  de bosta. 

Eu sou um fracassado, é tudo que eu sou. 
Eu queria ter  tido uma vida normal, como todo mundo.

Um jovem comum,  que encontra um suposto amor aos 14 anos, linda, aos olhos dos hormônios a flor da pele, típicos da adolescência.   Engravidaria a moça em dois meses de namoro e, sem opções, arranjaria um trabalho, fosse qual fosse, para ao menos fingir que poderia sustentar o filho e a garota. Depois de um tempo, conseguiria levantar o que poderia se chamar de moradia de dois cômodos, nos fundos do terreno dos pais da companheira. E lá, viveriam, até que, os 16 anos, a natureza os agraciaria com mais um filho. 

 Depois de um tempo maior ainda, ele perceberia a grande bosta que a  vida havia se tornado. O quanto tudo aquilo não fazia sentido. O quanto ainda era jovem, e poderia está aproveitando mais a vida.   Então,  com essas convicções, vendo que não era justo que a única diversão da sua vida fosse dez minutos de fornicamento diários com uma garota com os couros do bucho mole devido os dois filhos que tivera, se afundaria no álcool, como uma forma de fazer justiça em relação à vida. 

 Aos sábados, invariavelmente,  como que uma promessa, depois de trabalhar a semana inteira na lavoura e  de ter economizado, a duras penas, todo o dinheiro da semana,  saía com a desculpa que iria comprar o jantar, só pra passar em um bar ridículo na estrada; donde trabalha uma puta aposentada, que não servia mais para nada, mas ainda tinha cheiro de puta e ainda ostentava aquele trejeito natural para arrancar até o último centavo dos homens.  Pensava ele, que poderia  ir ao um cabaré de qualidade, porém sabia que o dinheiro era pouco. Poderia ir algum lugar que não tivesse putas e, sim, ninfetinhas da sua idade, porém, sempre  que ele se olhava no espelho, via o quanto às longas jornadas de trabalho diário havia o tornado feio; magro, com a pela massacrada pelo o sol, olhos fundos; o perfeito retrato de um caboclo de quarenta anos. Então via que o único local que poderia ser tratado como gente era naquele bar ridículo.  Como ele era o único cliente da puta aposentada, ao menos lá,   o álcool e as caricias das mãos ásperas da velha senhora o  fazia sentir-se como se tivesse fazendo justiça em relação à  vida sofrida.     
 
E em um desses sábados, não diferente de tantos outros, depois de gastar todo o dinheiro, e não mais receber  o mesmo tratamento naquele digno estabelecimento, ele se dirige pra casa, sem conseguir nada além de torrar todo o suado fruto do seu trabalho. Alcoolizado, sente que tudo aquilo fora um grande erro, que deveria mesmo era ter comprado o jantar, pois também sentia fome. Sente-se arrependido, mas sem poder voltar atrás.  Ao chegar a sua casa, ver a garota que pensou que ia ter sempre a pele lisa, os couros firmes, numa velha cadeira com os peitos caídos, tentando amamentar o filho mais jovem, enquanto o mais velho pergunta pela o jantar.  Ele ver aquela cena, e sente um profundo ódio de si mesmo. A sua pobre e calejada esposa, cansada daquela mesma rotina toda semana, apenas o fita com um olhar de desprezo. Ele então, não aceita aquele olhar. Ele queria que ela gritasse com ele, que o colocasse no seu devido lugar porque ele era um merda. Ele tinha consciência que merecia sim, uma surra. Mas quem seria capaz de dar essa surra nele?

 Irritado com toda aquela falta de ação da pobre moça, ele, sem dizer uma palavra, chega até as poucas panelas sobre o velho banco improvisado como uma prateleira para os poucos alumínios que tinham, vira o banco contra a parede provocando um estouro enorme, desencadeando um choro coletivo dos dois filhos e da sua  companheira.  A reação da jovem moça é apenas pedir pelo o amor de Deus que ele se acalmasse.  O jovem então, enojado mais ainda com sua atitude sem sentido e vendo o quanto estava fazendo sofrer sua companheira e seus filhos, sente que merece morrer.    Mesmo assim, sua companheira, pobre coitada,  para proteger sua vida e  sua prole, enquanto chora, diz que o ama e que não se importa com as suas bebedeiras. O jovem, cada vez mais se sentindo um lixo por aquelas palavras que não merecia, dispara uma bofetada contra o rosto da esposa.  E sentindo-se indigno de viver, percebendo que aquilo não acabaria bem, sai de casa com a certeza que se ficasse,  mataria alguém, pelo o simples fato que ele, era quem merecia morrer.



Ele dorme ao relento, como de fato merecia, e retorna na manhã seguinte, como se nada tivesse acontecido. O velho banco já se encontra novamente no lugar, o olho da sua companheira se encontrava roxo, mas querendo esquecer, ela sorrir, enquanto prepara o café preto para ser bebido em mais um dia como qualquer outro. Ele toma o café churro, sente-se fraco, mas para não demonstrar fraqueza, sai para trabalhar, até que chega sábado e tudo se repete.  Tudo tão normal.

Viver definitivamente não requer reflexões. 

Esse cara vive mais que eu, não tenho dúvidas! 

Samuel Ivani 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Migalhas






Migalhas 

Caminho mendigando umas gotas de amor;
Umas gotas de atenção,
Umas fagulhas  de razão,
Numa tola tentativa de me encontrar.
Nada sou!
Além de um pedinte asqueroso, nada sou!
Pouco tenho a oferecer.
Não passo de  um vazio coração
em busca de se preencher.
Arrasto minha insignificância por aí,
Na esperança de me encontrar
em meio aqueles que carregam a vida.
Um louco,
proferindo palavras de amor, sabe Deus a quem,
na esperança de não ser reprovado.
Se ao menos eu fosse um pingente  falso, cor de ouro,
 ver-me-iam ao menos enquanto refletido ao sol.
Onde esconderam o meu brilho?
- Tu não tens brilho, tolo!
Tu, não passa de um pobre fora dos trilhos
- Dizia ela, quem um dia amei.
Rastejo-me por aí, desde então,
mendigando umas gotas de dignidade
uns malditos sorrisos que me alegre.
Sou um mendigo sujo, bêbado,
Que profere juras de amor aos ventos e que,
 em segundos,   o mundo as  esquece.
Eis a grande verdade dos sentimentos:
Não há juras de amor eternas!
Mas se em vez de rastejar-me por aí,
Eu corresse?
Saísse  em busca do que desejo e,
Naquela ânsia, cheio de vida,
Saísse furtando o brilho das flores,
O doce das amoras,
O canto dos bem-te-vis,
O verde dos pastos
Simples assim!
Por que não?
Tudo isso há em mim.
É!
Mendigar pra quê?
Tudo que eu preciso pra me encontrar
está dentro de mim!

Simples assim! 
                                                                    Samuel Ivani 


terça-feira, 28 de outubro de 2014

A grande revolução brasileira



A grande revolução brasileira 



Identidade, igualdade, fraternidade 

Sinto que estamos próximo de uma grande revolução ideológica no Brasil, movida principalmente pela democratização da educação e as tecnologias da informação. Sinto que os brasileiros estão tomando consciência da nossa política arcaica, da nossa corrupção universalizada, que faz dos nossos representantes terem como meio de vida, a corrupção. Estamos cansados do nosso sistema judiciário falho que sequer proporciona a certeza do castigo aos marginais. Cansados da falta de segurança generalizada. Hoje, são os maus feitores que mandam no país, pois mesmos estando alguns presos, gastando o dinheiro do contribuinte, ordenam ataques, ou manifestos violentos, reivindicando o direito de cometer seus crimes livremente, e o governo fica inerte. Enfim, estamos criando a consciência que nem de longe ainda vivenciamos a democracia de fato. 

36 milhões de brasileiros votaram, nas ultimas eleições nulos ou brancos, estes estão cansados do nosso sistema político que nunca muda. Sabem esses milhões que independente da escolha do voto, não faz diferença, pois o sistema é o mesmo, os candidatos são os mesmos, logo, continuaremos na mesma. Estamos nos dando conta que precisamos nos unir para mudar o Brasil. Estamos, finalmente, construindo um sentimento nacional, a ideia que precisamos amar a terra que nos alimenta e que, se quisermos mudanças, temos que ir à luta, por nossa terra e nosso povo. 

Somos um país atrasado, pois a pouco que nos tornamos independentes no papel, e de mentalidade e de ideias, agora que estamos adquirindo a tal independência. Ainda estamos construindo aquela Liberté, égalité, fraternité dos franceses. 

Mas essa ideia de revolução faz parte apenas de uma minoria ainda, porém, creio que com todos esses escândalos, muitos se sentiram impotentes diante das urnas e não há de demorar tanto tempo para que esse sentimento se dissemine a toda a nação; nação que há de se formar no povo brasileiro, pois no sentindo cru da palavra, só pode ser considerado nação um povo que compartilhe um mesmo sentimento nacional, e bem sabemos que no Brasil ainda não se atingiu esse elevando nível de consciência. Porém creio, espero e sonho, que muito em breve, passemos a compartilhar a ideia de um novo país, uma nova mentalidade. E que essa mudança, não seja só na política, mas, também nas artes, pois bem sabemos que há tempos não temos grandes escritores, grandes pintores, universais, que levem o nome do nosso país ao mundo.

Precisamos da nossa revolução e de um líder que aflore nos brasileiros a nossa identidade nacional, que una o país por um ideal, que una o povo pela terra que temos em comum. Fora isso que sempre nos faltou. Pois os brasileiros sempre tiveram aquele sentimento de que pode arrancar um pouquinho da nossa terra, sem consequência alguma, e sem se importar com o próximo. Essa é uma herança antiga, nos deixada por nossos colonizadores que chegaram aqui para explorar e destruir, e desde então, carregamos o mesmo sentimento, principalmente os nossos políticos. Creio que essa herança está por um fio e vamos ter a nossa revolução. A grande revolução brasileira.

"Para que haja qualquer revolução em uma nação é preciso que o sentimento de insatisfação seja elevado ao máximo, para que seja dada razões ao povo para a luta coletiva sem remorsos. Essa elevação, desde sempre, fora papel das guerras, sejam elas ideológicas ou de sangue. Não há revolução sem batalha." 

João da bodega

Deixa eu dizer o que penso dessa vida




Deixa eu dizer o que penso dessa vida 

Deixe! Deixe-a passar
Os amores passam
As dores, quase sempre passam
As ideias perpassam
As cores disfarçam
Tu! Há de ficar!

Deixe-a, não vale apena
Não há solidão sem tempo
Não há amor sem contra tempos
Nem barulho sem que tenha
experimentado o silêncio...

Então deixe! Deixe-a ir
Não há sentimento que dure pra sempre
Não há flor que nunca chegue a cair
E ninguém ama eternamente
Sem que, ao menos uma vez
Tenha pensado em partir.

Então deixe-a, deixe a banda passar
Eu hei de ficar aqui, cantando coisas...

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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Lírios dos campos




Lírios dos campos

Não houve ou haverá alguém no mundo
Mais amargo do que eu!
Eu:
Não me comovo com o sacrifício alheio,
Não me importo com os espelhos que refletem o meu Eu.
Tão pouco, com o que pensam os tolos!
E os sábios, esses, apenas acham que pensam.
Amargo sou e,
as poesias de amor, perseguem-me,
como formigas ao açucareiro.
Tolas!
Assim, como os campos floridos que
 sempre me aparecem,
Desavisados, coitados, que dentre os lírios,
Não há quem exale odor mais fétido do que eu.
- As formigas que se alimentem de outro doce!
Eu,  sempre fel, sempre egoísta,
Não acalento coração que arde.
E de que me serviu uma vida de amores?
De nada! De nada!
 Sou intragável, amargo!
Não há quem tire isso de mim.
Até os deuses já me rotularam:
Blasfemador dos amores,
Demônio de cetim.
Não me importo!
Pois de que me serviu uma vida inteira de amores?
De nada, de nada!
Que castelos eu levantei?
Que princesas eu salvei?
Fui apenas o veneno que fechou suas pálpebras!
Se hei de ser vilão, e nada,
Que assim seja.
Que eu espreite o rebanho,
E de vez e sempre furte um beijo de amor
que me alimente.
E retorne, até que não haja mais amor. 


                                                                                                  Samuel Ivani 

O MENINO DA CORTE





O MENINO DA CORTE

A quem ver! Não ver. Se ver, não atenta;
um garotinho sujo, descalço, a esperar atento
migalhas da mesa, que cai salivadas dos reis,
de madames enfeitadas; esmeraldas:
rubis e mais rubis e corações vermelhos.
O garoto faminto. Logo à cima dele, à mesa; risadas.
Carnes nas barbas dos reis e no colo das enfeitadas.
Há sujeira aqui em baixo; pouco importa, a fome não ver.
Risadas, pisadas, gritos, o que haveria logo acima?
O garoto, a fome, os olhos, as vazias entranhas desejam ver.
O Invisível garoto levanta e ver o bobo, de pernas pra cima
como em uma rinha. 
Todos riam do bobo desajeitado.
Bobo da corte. Seria mesmo ele bobo?
 O bobo todos veem!
Mas a maquiagem, as vestes estranhas... 
Na verdade ninguém o ver!
Haveria por trás das vestes um sujo menino?
Todos riem do bobo e lambuzam suas barbas de gordura.
No bobo da corte um sorriso. 
Seria dele aquele sorriso ou obra da maquiagem que força as alegrias?
Seria o bobo apenas um quadro em uma moldura?
Quadro sem vida, vida tinha quem o pintou.
Quem pinta o bobo? Não seria o próprio bobo?
O menino ainda faminto olha o bobo e não ver graça.
A fome não deixa seus risos fluírem.
Mas os reis, os reis e madames,
Esses sim, enchem-se de leitões, vinhos e risos.
O bobo menino, o menino bobo, não se sabe,
Levanta-se e agarra uma coxa suculenta.
Agora quem rir do bobo, do bobo menino?
Ninguém! Desse bobo que come, ninguém!
O bobo da corte, (bom seria se fosse a corte do bobo)
Estraçalha ferozmente a coxa e seu pescoço.
Os reis e madames assustados murmuram: "que graça há neste tolo?" 
O menino sujo e faminto fora levado a forca.
Sem maquiagem não era o bobo.
Todos riam, não do bobo da corte, mas do menino faminto e tolo.
As madames e reis todos maquiados e enfeitados para presenciar o último riso proporcionado por aquele 
que antes bobo da corte, hoje menino bobo.
Que forca? Que tortura? A forca seria o fim!
Mas para aquele bobo menino não sobrava ar,
 então melhor seria não respirar. 
                                                
                                                         Samuel Ivani 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Deserto



Deserto

Estou perdido. Não que seja uma perdição de não ter volta. Estou perdido porque arranquei de mim o meu norte. Porque haveria eu de culpar alguém? Fora eu, que no deserto, optei ir  em direção contrária ao oásis que me salvaria.   
Haveria eu de me culpar também por isso? 

Ora, os homens precisam decidir-se e,  nem sempre escolhem o caminho certo. É a regra da vida. Existem as escolhas e só. Não me culparei. Se tiver que culpar alguém, culpo a ti, que se encontra ai, lendo. 

Só pedi que imaginasse dragões. É o que o mundo sempre exigiu também. Mundo esquisito este; aqueles que mais amam, não vivem seus amores. Optam por viver amores pequenos, quando poderia viver uma história de cinema. 

Quem é que quer viver um amor de cinema também? 

A realidade é sempre mais árdua. Os amores são mesquinhos mesmo. Não adianta buscar contos de fadas. O amor é essa coisa pequena que a gente sente como se fosse um universo. É aquilo que sentimos por alguém que nos tiram as necessidades. Grande coisa o amor!   

Nem pite pra ele!  Sinto-me leve. 

Se ainda amo é por conta de ter aprendido  a viver de lembranças passadas, dos teus cabelos longos. Os cabelos sempre crescem, mas nunca se repetem. Essa é uma  grande verdade. Eu, que sou menor que o amor, vivo tentando ser maior que ele. Quão bobo eu sou. Eu devia mesmo..., eu devia era me calar, que no deserto, falar sempre aumenta a sede. E meu oásis? Quem haverá de saber, aonde se escondeu!  

Samuel Ivani 

domingo, 19 de outubro de 2014

Essencial


Essencial

Quem dera fosse eu, entre as estrelas, o sol;
Astro rei, em que a regra do “todo” não cabe;
Brilhar, encandear, queimar, desnortear,
Aumentar a sede e,
Acima de tudo: essencial.
Se eu fosse o sol entre estas estrelas,
Eu não seria assim, tão fraco.  
Mantinha distante de mim, o amor,
Não ouviria as tristezas;
Não sentiria ciúmes exagerado,
Não amaria os sorrisos,
Não choraria dores que não são minhas.
Não teria esse coração que palpita.
Estaria, eternamente, entre estranhos,
Assim, ninguém me influenciaria.  
E não me levaria pra vida, esta, que tanto exige  de mim.
Quem dera fosse eu, como o sol: essencial!
Ao menos fosse eu, poeira cósmica,
Que sem rumo, sem objetivos,
Iria a qualquer lugar, cegando os homens.
Era tudo que eu queria.
Mas sou uma estrela, pequena,
Não diferente de tantas;
Amo, sinto, sofro, tenho ciúmes,
E talvez só por isso,
Um dia, quem sabe,
Torne-me de alguém, o sol:

Essencial. 

sábado, 18 de outubro de 2014

Acredite



Não é bom que nos encontremos 

Há tempos que não faço a barba, me encontro magricela; assemelho-me a imagem de um Deus louco, cheio de espírito e destituído de vida real. Não te agradarás ao  ver-me depois de tanto tempo. Tornei-me rabugento, como um soberbo que acredita que consigo carrega  a mente de Dostoiévski, Tomás de Aquino, de Nietzsche e não passa de um Zé ninguém.   
Não sou mais aquele jovem engraçado. Há tempos que me desprendi do mundo, da vida, e me enclausurei em meu universo particular, só com meus livros, minha mente auto-suficiente. Deixei de ser quem tu, um dia, aprendeste a amar. 

- Não creio em tal devaneio! Quem aprendi a amar deve então estar guardado no mais íntimo de teu ser. Meu amor não pode ser desvirtuado de tal maneira infame, isso seria um abuso.

Acredite. Até mesmo eu, profundo conhecedor de mim, sinto-me como se tivesse mudado da água pro vinho, como se o tempo, os desamores tivessem me tornado assim, um ser sem graça. Sinto saudade de mim! Sinto saudade dos amores que me construíam, agora sou vazio. Não amo mais, logo, não vivo... É triste e real.

Mas eu não quero voltar a ser o que era. Ninguém me levava a sério; era como um ébrio, como um bobo da corte que todos se divertiam e nada além.
Gosto de mim assim. Sinto que me encontrei, e compreendo que ao passar por qualquer processo de mudança, necessariamente,  precisamos amargar algumas perdas, é natural. Eu perdi algumas pessoas com essa mudança. Sinto uma falta profunda, mas sei que é um processo necessário.  Ninguém pode ser eternamente um adolescente, inconsequente, vivendo como se a vida fosse um baile eterno em que a dança e o vinho e o fogo fátuo de amor imaturo, fossem pra sempre as razões de uma vida. Há tanto mais sob céu.  


Eu mudei. É provável que ainda retorne uma vez ou outra aquele meio Eu antigo, mas sou o que sou. Perdi parte de mim, pois considero cada pessoa que amo,  como uma peça do pequeno mosaico que sou, cada uma pequena parte da personalidade que vou construindo com o tempo. Era tu, boa parte das minhas razões, mas há sempre vantagem em tudo: a parte boa de me encontrar vazio é que sobra espaço para novas experiências, novas pessoas. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A filosofia da simplicidade





A filosofia da simplicidade

A vida é muito simples, os homens foram que, ao longo de sua racionalidade e mítica liberdade, buscando ser uma criatura especial é que complicaram e ainda tentam complicar de forma absurda os objetivos, as razões da vida. Só existe uma razão para a vida: a reprodução; manter nossos genes vivos e atuantes ao longo do maior número de gerações possíveis. 
Não basta às complicações que nos são impostas pela competição natural árdua da natureza, ainda temos que complicar a vida um pouco além, com filósofos como Hegel, que tentou dá uma complexidade demasiada a simplicidade da vida. Não há complicação. A racionalidade, a consciência, não passa de uma estratégia, como qualquer outra, de sobrevivência, cujos homens desenvolveram de acordo com a necessidade imposta pela a competição e seleção natural. E a verdade é o que se pode tocar e ver e sentir por todo ser, independente de já se ter visto pelo o homem ou não. O real não está condicionado à finalidade, tão pouco, ao conhecimento do homem. Simples assim! A verdade absoluta é essa. Há quem não creia... Pouco importa, isso não muda os fatos. 

Não compreendo o fato das pessoas tentarem compreender a mente humana partindo da racionalidade. Este fora o erro de todos os filósofos até então. A humanidade se compreende a partir do instintivo natural, que daí, se compreende a vida no seu todo. 
Os homens, naquela ânsia por serem especiais, por serem criaturas com objetivos além da vida, criaram novos significados para vida e esqueceram de se analisarem como animais e que, como todos eles, buscam apenas sobreviver. O homens tentam encontrar razões no subconsciente, naquilo que não compreendem; não compreendem simplesmente pelo fato de analisá-lo utilizando como objeto para análise, o próprio objeto a ser decifrado. Temendo a complexidade de Hegel e com isso, não ser compreendido, utilizar-me-ei de metáforas para que compreendam, pois existe mais beleza na simplicidade de fácil compreensão do que na complexidade a ser decifrada: Como quereis compreender um microscópio utilizando outro microscópio para decifrá-lo, sendo que ainda não se conhece a finalidade do mesmo? O homem ainda não compreendeu o consciente, ou subconsciente, racionalidade, que seja, porque busca a compreensão a partir dela mesma. Analise a racionalidade de fora, com o instinto, com o mais profundo recôndito da mente do homem e chegará à compreensão desejada. 
Tenho a sensação que alguém já disse isso, se disse, carrego comigo o mesmo raciocínio. Ah..., velha mania de grandeza de Raskólnikov! Enfim, quem pensou assim estava certo. Malditos dejavús. Continuemos... 

A racionalidade surgiu unicamente da evolução do instinto, daquele instinto de lar, que com a competição mais acirrada, tornou-se necessário, para se sobressair, armazenar mais e mais informações. A capacidade de imaginar o futuro surgiu apenas do senso natural de perigo, pois com a capacidade de armazenar mais informações, fomos construindo a capacidade de prever cada vez mais com antecedência o perigo, aquilo que poderia nos tirar o nosso objetivo principal que é perpetuar os nossos genes. Simples assim. Darwin compreendeu, e os filósofos ao longo da história, simplesmente ignoraram a verdade, porque não podiam ver. É racional ignorar o que não se pode ver. A racionalidade é uma estratégia de sobrevivência, como a voz, como o fato de nos vestirmos, de construirmos casas, de fazermos música, tudo, não passa de estratégias cada vez mais complexas de manter a procriação. Se analisares corretamente verás que todos os animais desenvolvem estratégias parecidas de acordo com a competição vigente. A única coisa diferente nos homens é que, competimos com mais vigor, e fomos adquirindo habilidades mais específicas e sobressaindo as demais espécies. 
Tudo que fora criado, filosoficamente, do abstrato, não é uma verdade, é apenas uma forma que o homem encontrou para ser diferente e especial.  

Existe a verdade universal e a verdade humana individual, em que se acredita naquilo que se conhece, e também no desconhecido, desde que outros a repassem ao mundo como verdade, no entanto, esta não anula a verdade universal, que desconhecida, ou não, é real. Isso no plano terrestre, para o universo total, talvez a verdade seja um pouco mais simples, e como de costume, os homens partem da complexidade para compreendê-la. A compreensão do universo se encontra na menor unidade da vida. Façam o que desejar com essa frase, ela diz muito ou quase nada. Não é o que os grandes filósofos fazem? Sempre dizem muito e no fim, não dizem nada? 

Samuel Ivani 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

No Brasil Deus é pai e o Estado é mãe







No Brasil Deus é pai e o Estado é mãe

O brasileiro carrega consigo a ideia de que o estado, ou melhor, um candidato eleito, vai mudar a vida do povo da água pro vinho, como em passe de mágica. Temos a ideia que os recursos do estado devem ser repassados diretamente para a população como uma mesada. E indo além, o estado tem, por obrigação,  pegar na mão de cada um e acompanhá-lo até um bom emprego; obrigá-lo a frequentar a escola, já que é obrigação votar e etc. Tudo na base da proteção materna instintiva. Isso ocorre apenas na hora de escolher um candidato, pois escolhem pela a emoção e não pela a razão. No entanto, quando o período eleitoral passa, um mês depois, vem aquela ideia: "os políticos são todos iguais, vejam, nada mudou, na próxima eleição, voto em branco."
 Ai cai à ficha que o Estado só defende os que se encontram no poder. Percebemos então, que o Estado não passa de um filho egoísta e irresponsável, e nós, o povo,  é que somos as mães que os protege a qualquer custo.  Porém, no próximo período eleitoral, tornamos a "escolher" os candidatos pelos os mesmos critérios, como se as experiências passadas não tivessem ocorrido. Nunca vamos escolher bem os nossos candidatos, porque sempre concorrem os mesmos candidatos, e se  um ou outro com ideais entra na disputa, o povo, dependente do estado emocionalmente, não votam nestes. Somos alienados por esses sentimentos históricos.Sempre fora assim.

O estado tem, por obrigação, oferecer as condições necessárias para que a população possa se desenvolver, qualificadamente, para alcançarem uma boa qualidade de vida de modo que seus esforços possam render bons resultados. O Estado não é uma mãe que carrega o povo debaixo da saia, os protegendo e os alimentando eternamente. Essa estratégia, apenas torna o povo mais e mais dependente do estado, ou seja,  criam filhos incapazes e dependentes de seguirem seus caminhos por si só.
No Brasil, carregamos aquela herança da pequenez em relação ao Estado desde os portugueses, que ludibriou nossos índios com espelhos.

 Uma nação, necessariamente,  tem que ter um sentimento nacional em comum, algo que una o povo por uma causa, mas também tem que haver  a dependência individual do estado, caso do contrário, quando qualquer lado definha, definham ambos. Só que no Brasil,  nos falta o sentimento nacional e nos sobra o individualismo em relação aos outros. O único sentimento que temos em comum é o que o estado deve agir como  uma mãe na hora de escolher o voto, sendo que historicamente, quase nunca ocorre. Quase nunca. 

O maior problema no Brasil hoje é que nos falta amor a pátria, amor a terra que pisamos que garante o nosso sustento e a continuidade da nação. O estado em vez de incentivar o patriotismo, oferece as condições para que o povo cada vez mais se torne dependentes do mesmo. O Estado corrupto apenas desestimula a população a desacreditar em nossa nação, e assim, não adquirimos amor a nossa terra, ao nosso povo, a nossa identidade nacional, que acredito que necessita de alguém que aflore esse sentimento nos brasileiros. Agora quem? 

Sem amor a terra, nunca vamos escolher os candidatos ideias, pois eles mesmos não existem. Necessitamos de patriotismo.
Se Simão Bacamarte, personagem do conto o alienista de Machado de Assis, resolvesse enclausurar na casa verde, aqueles que não respeitassem o país, a sua bandeira e que lhes faltasse uma identidade nacional imposta pela a sua terra, sua cultura, talvez restassem um ou dois  brasileiros livres.    



“Só se pode lutar pelo que se ama, só se pode amar o que se respeita e respeitar o que pelo menos se conhece.” Adolf Hitler 

Samuel Ivani

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Tão doce e suave





Se o mundo fosse da maneira que imaginei, todos os desejos seriam irrealizáveis, para que ninguém sofresse com a impossibilidade. Existiria, assim como existe, a necessidade de estar perto, de olhar, de tocar, o tempo todo as pessoas que amamos, mas tudo seria perfeitamente possível. Assim, a saudade seria, não um tormento, mas um alento, devido a espera como uma certeza, e não, como um tolo desejo. 

Se o mundo fosse como imaginei, seríamos eternamente como crianças; não acumularíamos mágoas, e se escolhêssemos, poderíamos viver só de imaginar, cada um no seu mundo interno, surreal e particular. Assim, todo mundo seria agradável a primeira vista, pois não haveria a necessidade da hipocrisia para agradar um ou outro, já que seríamos auto-suficientes. E se fosse como imaginei, todos teríamos plumas coloridas, assim como pavões, e as guerras seriam apenas para decidir quem exibiria a plumagem mas exuberante. E o vencedor tinha o direito de arrancar todas as penas do derrotado, e ele morreria resfriado pouco tempo depois. Foda-se!


Ás vezes escrevo cada besteira que não condiz com minhas ideias humanas. São tolos aqueles que tentam fugir da humanidade que há em si. Eu poderia escrever milhões de textos utópicos, cheio de belas palavras que agradam aos olhos, mas de que adiantaria? O mundo se encontra ai, competitivo, selecionando os fortes e descartando os fracos. E eu, como o mais fraco e tolo de todos, ficando para trás.

  A vida é uma corrida em que a lebre nunca dorme.

Porém, existem aqueles sonhadores, coitados, que passam a vida esperando que a lebre caia no sono, mas ela nunca adormece. É fato. 
O que a gente pode fazer é tentar não disputar a corrida alheia, identificar em qual terreno nos daríamos melhor, quais adversários teríamos chance de vencer, e só entrar numa corrida que poderíamos ser, ao menos um coelho, que se não é tão veloz das pernas, ao menos se reproduz exageradamente.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Inside




Quando me voltei para dentro de mim,
vi  tudo tão vazio; uma escuridão de dar dó.
Dentro de mim, havia uma estrada deserta,
Uma linha amarela, e urubus e águias ao redor.
Queriam, talvez, minha pele, que já morta,
 Serviria de almoço,  para as aves que tanto alimentei.
Era tudo tão diferente do que pensei!
Assustei-me de início,
É tão natural...

Dentro de mim havia dores,
Tantas quantas... Nem contei.
Havia de todas as tribos, as mazelas,
De todos os homens, as aspirações.
De onde vieram, não sei.
Não bastaria as minhas?
Tinha que sentir as dores do mundo?


Havia também, canções,
Doces, suaves, trilha sonora da escuridão.
Surpreendi-me, pois nem tudo eram dores.

Quando me voltei para dentro de mim
vi, uma longa linha de tempo,
Fina, opaca,  quase toda utilizada,
Num tecer burro do “nada”.  
Maus tecelões, 
os curiós que em mim trabalham.
Não tecem rios,
Flores, jardins.
Queria tanto um jardim  com flores violetas 
que me regasse de beleza
Cada manhã escura que há em mim.
Mas eles não tecem.
Oh! Curió! 
Prefiro as águias,
Que ao menos espero delas, pouco ou quase nada.
De ti queria flores,
E tu teces uma linha amarela na estrada.
Quão inútil és!
Quão inútil sou!

As codornas e perdizes em mim,
Deveriam me divertir em longas caçadas,
 Porém, em vez disso, me caçam.
E eu, como uma cutia acuada,
Sempre sou devorado.
Quando me voltei para dentro de mim
Havia um beija flor que dançava balé,
Quão linda era.
Porém,
Os urubus a devoraram num piscar de olhos.
Que mundo cruel esse que vivo!

Quando me voltei para dentro de mim
Tinha perdido a beleza que um dia achei que tinha.   
Era tudo tão sombrio
Era tudo tão natural,
Eu que de fora não via.  
Mas compreendi a escuridão,
e isso me foi suficiente para "ser". 

Samuel Ivani 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Castigaram-nos com o livre arbítrio






O livre arbítrio fora, irrefutavelmente, o pior castigo de Deus destinado aos homens, mesmo sendo o homem essa tão aclamada e amada criatura de Deus. Tanto é que, os homens desde sempre buscam meios cada vez mais sofisticados de se prender, seja aos outros, ao estado, religião e assim por diante. O Livre arbítrio deveria ser tratado como a fonte de todo mal, não como uma dádiva como alguns tolos o denominam, pois segundo o conto de fadas bíblico, surgira de uma escolha a origem de todo mal. Não há liberdade na racionalidade, pois os homens sempre se prenderão aos seus desejos, ou melhor, aos desejos de seus semelhantes com maior poder de persuasão, ou melhor ainda, aos seus instintos naturais, com o único desejo de manter os seus corpos vivos, sem nenhuma aspiração a mais, diferente do que muitos criam em suas mentes loroteiras. Neste pequeno fato, vemos a prova que a liberdade levaria os homens a extinção. 
Tudo, sem exceções, que já fora criado pelo homem, fora a fim de perpetuar a espécie. Porém, é comum na história humana a criação de mitos, e a liberdade é um deles. 

Se existe um organismo vivo que não é livre é o homem. Tão pouco ele quer ser livre, apesar dos inúmeros protestos que almejam alcançar à utópica e poética palavra LIBERDADE. Instintivamente e naturalmente somos animais com instinto de bando, e obviamente, necessitamos de lideres, e não lideres que nos dê escolhas, pelo contrário, pessoas de fibras que nos repassem ordens, que nos tire ao máximo o poder de escolhas. Nada martiriza mais os homens do que as escolhas, pois dentro de uma escolha óbvia, sempre existem tantas outras que devem ser levadas em consideração. 
As escolhas requerem reflexões, e o ato de pensar, talvez seja o que mais nos prende, e mesmo assim,  racionalmente, clamamos por liberdade. 
Fato é que, na história humana, aqueles que demonstraram os seus desejos, que tiveram espírito de liderança, levaram multidões a lutar por seus ideais. Talvez pudesse denominar estes homens escravos de ideologias alheias, no entanto, na verdade, a maioria humana, se encontra destituída de objetivos, logo, qualquer um que prometa a sobrevivência ou que lhe dê razões, qualquer que seja, este instintivamente encontrará seguidores. Refletir é essencial para a nossa sobrevivência, no entanto, gasta energia e todo ser vivo parte do princípio de conservação de energia. Nem todos possuem a habilidade de pensar e nem querem te-la, pois quem reflete demais não se reproduz. 

É simples de se compreender o porque do homem ter como ideologia a liberdade e que, no final das contas, continua sempre dependente, como um castigo eterno: é sobrevivência. O livre arbítrio nos serve apenas para nos decidirmos à quem vamos nos prender, pois essa falta de liberdade é que mantém nossa espécie viva e atuante. É fato, se todos os homens resolvessem seguir seu caminho, independente de qualquer coisa, iríamos cada um pra um canto, deixando de lado a ordem, logo, nos destruiríamos numa parcela de tempo bem menor do que o normal. Os nossos genes não aceitariam tamanho disparate. A condição humana comum é a de submissão, tanto é que, criamos um ser sobrenatural que nos domina, pois o homem quando se sente livre, não sabe para onde ir e sentindo-se perdido entra em desespero.  
Não é da natureza humana ser livre, livres são os porcos, que além de não saberem para onde vão, assim como nós, também não querem ir a lugar algum.  

Pros diabos com essa tal liberdade, eu quero mais é me prender. 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Elmo de ouro


Elmo de ouro

Ah, mundo estranho esse que vivo:
Caminho nas rochas quentes do inferno e,
Mesmo assim, queimo mais a pele dos outros
Do que propriamente a minha.
É tudo tão diferente do que pregam;
Do que julgam aqueles que não enxergam
Além do seu próprio nariz.
Nesse inferno agradável, cheio de girassóis,
Conheço tantos diabos que amam,
Em contrapartida, numa parcela bem menor,
 deuses com a mesma capacidade.
Em vez disso, odeiam, castigam,
Destroem, tiram a liberdade daqueles
Que não conhecem a verdade.

Aonde se escondem os deuses que amam?
Mundo estranho!
Estranho para quem não o compreende.
O Julgo tão simples:
Os que o veem como o inferno,
Não passam de diabos
Com o desejo de serem  anjos.  
Aqueles que julgam o céu,
Não passam de diabos,
Numa busca constante para se sentirem especiais.
Tolos!

Nem inferno, nem céu,
 É só um mundo vivo, competitivo. Além dessa conotação, é pura poesia.
Eu apenas o considero único e, portanto,
Preciso, lutar, correr, buscar aquilo que desejo.
E ser, ainda que só em minha mente,
Um louco estranho.
Assim como os deuses;
Não menos falho que os homens.

É! Nesse mundo estranho,
Entrego meu elmo de ouro
Aos homens e eles, coitados,
O tornará alimento para as suas almas.
O difamando como objeto do mal. 
É o que eles sempre fazem... 

SAMUEL IVANI 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O idiota



O idiota 

Eu devo ter sido,  irrefutavelmente, o maior idiota do universo 
Quão grande babaca eu fui!
Eu escolhi conhecer a vida em vez de vivê-la
Eu escolhi  pensar, em vez de amar inúmeras vezes.
Mesmo assim, das poucas vezes que amei,
Todo conhecimento que tinha, de nada me foi útil.
Eu devo ter sido o maior idiota do universo;
 Um tolo, que se achava maior que todos
 e não passava das vísceras daqueles que não refletiam.
Meros espirros daqueles que viviam.
Eu, como o maior idiota do universo,
não fui nada.
Pensei que estava destinado a grandes coisas
e neguei-me a chance de ser  pequeno, assim como tantos.
Não atentei  que aqueles, cujos viver bastava,  
que respirar bastava,  
com apenas algumas aspirações adequada a sua realidade,
 eram a regra e, eu,  a exceção.  

Eu devo ter sido, irrefutavelmente, o maior idiota do universo.
O maior tolo do mundo.
Minhas convicções não me levaram a lugar algum.
minhas opiniões, cuja acreditei que mudaria o mundo,
não mudaram nem a direção do sopro
 de um escravo a beira da morte;
chicoteado, ele soprava rumo ao fim
e eu não pude mudar a direção do seu sopro.
Não queria também ser escravo,
 e por  esta grande idiotice, nada fui:
Não cacei, com os príncipes, codornas gordas,
Não busquei em florestas perdizes perdidos
e, por não querer ser escravo, nada fui.
Oh! Quão idiota eu fui!
Não quis ser da orquestra o limpador dos instrumentos.
Que mais poderia querer eu, se não sei tocar instrumento algum?
Não quis ser em meio a tantos só mais um,
E não fui,  entre eles, nem igual aquela burra maioria.
Eu, no papel de maior idiota do universo,
não quis usufruir das descobertas de alguns tolos,
Queria, por força, descobrir
um mundo novo.
Tolo que eu fui, se é que eu fui alguma coisa.  
Eu, no papel de maior idiota do universo,
Escolhi ser eu:
um grande idiota, aos olhos da maioria.
Porém, morrerei com a consciência que fui um idiota,
 mas com a certeza que fui eu,  em todos os momentos que não vivi. 
Na linda história da minha vida, eu fui, acima de tudo, feliz. 
Eu fui feliz, ninguém tirará isto de mim. 
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                                                                                         Samuel Ivani