sábado, 20 de dezembro de 2014

Filosofia da simplicidade: Teoria do eterno retorno, repetição

Filosofia da simplicidade: Teoria da eternização ou repetição

 “No princípio era o verbo e o verbo era Deus e o verbo estava com Deus e o verbo se fez carne e habitou entre nós.” ( Jo 1:1) 

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Antoine Lavoisier


“Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência.” Friedrich Nietzsche

Essas frases, não foram criadas do nada. Elas foram desenvolvidas a partir de observações do universo ao redor por excelentes observadores. É sabido que nada se cria na natureza humana, inconscientemente, ou não, tudo se transforma. Tampouco, houve uma evolução da raça humana tão além das outras espécies como julgam muitos  que não compreendem a vida. As ideias evoluíram de pessoa para pessoa, de geração para geração, mas essencialmente, somos todos iguais desde quando desenvolvemos a racionalidade. Tampouco, cada ser humano é único se tratando da psique, do universo mental. Indo um pouco além, talvez também não nos distanciemos do instinto animal das demais espécies de seres vivos. Haja ver que, não importa às filosofias, as regras da vida, as pessoas só mudam, de acordo com a necessidade individual.  Uma pessoa só adquire o hábito de economizar água, quando sente na pela a falta de água para as necessidades básicas, embora todos os vizinhos já tenham vivido trágica experiência. Pelo que, ainda continuamos vivendo instintivamente, sem percebermos. Uma das maiores provas dessa teoria é o sexo: não importa o quanto lutemos contra, ninguém vive destituído  de desejo sexual; este mesmo,  que nos impulsiona a deixarmos todas as nossas convicções, os nossos conhecimentos, por um amor de verão sem chances de dar certo.                                                                                    
Outra prova que ainda vivemos instintivamente é que, indivíduos que refletem demais, deixam de viver, pois em suas reflexões em demasia, sempre encontram obstáculos impossíveis de transpor quando iniciam ou sonham com qualquer coisa. Enquanto um indivíduo destituído de uma inteligência razoável, ele vive e alcança seus objetivos quase sempre, sem pensar muito, embora seus desejos sejam limitados. Eles simplesmente vão resolvendo um problema de cada vez e enfrentando a vida e vivendo, procriando e garantido a sobrevivência da espécie. Reflexão e vida são duas vertentes tão antagônicas que são impossíveis de caminharem juntas no mesmo indivíduo.   

Se carregamos conosco à mente de nossos ancestrais, e como todos os seres vivos partiram de um mesmo ancestral em comum, podemos, não facilmente, mas a base de muitas reflexões, conjecturar, de quais ideias surgiram a ideia de Deus, do Ser todo poderoso que nos agraciou com a vida.   Na natureza, tudo está interligado por algo em comum: a energia. Não uma energia sobrenatural, que nos é repassada de graça e, portanto, devemos ser grato a quem nos agraciou com o dom da vida. Refiro-me a energia proveniente do sol. Esta mesmo que absorvemos ao nos alimentarmos diariamente. Essa mesma que gera a competição entre os seres vivos, que por sua vez, gera a evolução, ou a modificação dos mesmos,  no intuito de se tornarem mais eficientes na obtenção da energia que os mantém vivos.   Por esta razão, tantas religiões orientais tratam a natureza como detentora de uma energia que pode ser transferida ao homem.  Como nada se cria, eles estão completamente certos.                   
Deus é a energia que nos nutri diariamente, e nos mantêm vivos: aquele que beber de minha água, e comer de minha carne, terá a vida eterna.   Não a vida eterna do corpo, mas a manutenção da espécie como um todo. A vida, partindo de um único ancestral, não passa de um grande indivíduo, que luta, a todo custo, para sobreviver desde os primórdios da vida na terra. Quando não for mais possível transformar a energia em nutrientes para os seres vivos, a vida será extinta. Ou seja, sem Deus, sem energia, se acabará o mundo.

A ideia de reencarnação dos espíritas, budistas, também parte desse princípio, pois há, talvez, em um número simbólico, cem tipos de homens, sendo que 99 desses se repetem sobre toda a terra, vivendo igualmente, com os mesmos pensamentos, os mesmos sonhos limitados, são estes os medíocres cujo merecem todo louvor, pois são eles que vivem e se reproduzem em larga escala e garantem a continuidade da espécie.    Nós, apenas nos repetimos, não somos únicos. É por esta razão que, muitas vezes, nos deparamos com ideias que julgávamos serem inteiramente nossas escritas por outras pessoas, em tempos remotos. Isso, porque possuímos um padrão e somos essencialmente iguais, e uma vez ou outra, alguém nasce com a mesma capacidade dos grandes gênios da humanidade.


A natureza selvagem que garante a vida não aceita às diferenças, salvo se forem superficiais, como a racionalidade.  Há as diferenças nas características entre as espécies, mas interespecíficas, a padronização garante o sucesso da mesma, senão, os aprendizados não seriam repassados, e cada novo ser teria que começar do zero, aprendendo tudo, até mesmo a racionalidade, isso, não seria possível. Somos uma peça de um grande mosaico chamado vida, quer negue essa realidade ou não. E estamos interligados pela a energia que nos nutre, e nos eternizamos, porque nos repetimos desde os primórdios da vida.  Aceitar é o principio da compreensão do Deus homem. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

Vazio que me atormenta



Vagamos em um mundo de incertezas, pois até mesmo os amores eternos quase nunca passam de janeiro. Mas a dúvida é o preço da pureza.
Li, que o inferno é não confiar. Vi e comprovei que, o inferno é não amar.
Sabe aquele bendito intervalo que temos que vivenciar com um enorme espaço para tanto? (só pra não dizer vazio) Eis o inferno: quando se perde a razão para ir, mas também não quer ficar, e tampouco qualquer lugar serve. Esse é o inferno de não amar. Aquele espaço de tempo que você fica buscando qualquer razão, em qualquer canto, nas coisas fúteis, nos olhares inúteis, nos sorrisos direcionados ao vácuo, na esperança de se encontrar.
 

sábado, 6 de dezembro de 2014

O Inferno é não amar




Como pode um homem viver sem amar?
Sem amor não há razões, desejo, força.
A verdade é que, sem amor, simplesmente não há.
Portanto, preciso, com certa urgência, de um amor;
Não precisa ser eterno, tão pouco correspondido,
Pode ser platônico, de ilusões, nem precisa ser real.
Deixem-me apenas amá-los pois sem amor não sou nada.

Quisera eu amar a lua, mas apesar de linda,
estava ela tão distante, e não existe amor à distância.
Quisera eu amar as árvores,
As amei de fato,
Mas precisei de calor, de ilusões,
e as árvores sempre imóveis, não me permitiram sonhar além.
Quisera eu amor os ventos, pois eles,
embora invisíveis, davam movimentos as árvores.
Mas apesar de senti-los, de acalentarem, quase sempre meu coração ávido por amar
meu amor necessitou-se de forma, de curvas, 
de olhares e não encontrei nos ventos. 

Quisera eu também amar o sol,
Porém, apesar de belo,
De emitir calor, energia,
Depois de pouco tempo, notei, com dor,
que era tudo.
Preciso, com uma certa urgência de um amor
pois não há inferno pior que não amar.
Julgam aqueles que sempre amaram,
que dores de amor são aquelas que mais maltratam.
Estes, não conhecem a ausência
o vazio que é não amar alguém.
Permitam-me que eu os ame,
É tudo que eu peço, pois não há inferno pior que não amar.
Então, se querem me agradar,
Não me tragam versos, não me encham de regalias,
Não me bajulem;
Sejam apenas interessantes, vivos,
pessoas das quais eu possa amar.
Sejam corajosos, enfrentem a vida.
Sejam daqueles que não almejam, conquistam.
Mas acima de tudo, tenham coragem.
Sejam daqueles que não refletem sobre nada, vivem apenas.
Reflexões sempre impedem a vida de florescer.
Eu, que refletia sobre tudo, encontrava “vida” em amar,
Amar ali, aqui, amar além, aquém, só amar...
E vejam agora: sinto-me só, vazio.
Quem arrancou de mim os amores merece todos os castigos,
Pois não há pior inferno para um homem que não amar.
Mas se tu retornasses com aquele amor que me levou,
Ainda sim, como qualquer amante, eu a beijaria.
Sou bobo, por que amo amar.
Então, tirem-me deste martírio e
sejam interessantes, para que eu os ame.
Não é pedir muito, ou é?


Samuel Ivani