quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

OS MARCIANOS ENTENDEM



OS MARCIANOS ENTENDEM

O homem pisa a grama, pisa as formigas.
Nem liga... São tantas...
O homem pisa as flores,
tropeça numa pedra, grita e chora, pois dói.
O homem pisa o outro homem,
pisa uma nação inteira constituída de homens,
Sente-se correto:
“Ora, se vivemos em um mundo competitivo, não temos escolhas.”
- É o que dizem.
O homem corta as árvores, não se importa, são tantas.
O homem corta o dedo, se escandaliza,
pois não pode ver derramado o próprio sangue.
O homem corta relações, corta corações,
sofre, pois quase sempre tem o coração dilacerado também.
É a lei natural da vida.
O homem caça os gansos, os lobos, nem liga:
"Eles não pensam, não sabem se esconder, são tolos!"
O homem é caçado pelo o fiscal da vigilância, se esconde, faz um fuzuê.
O homem constrói casas, usinas, mundos...
Destruindo os mundos de outros, é certo,
mas nem liga:
“Ora, somos especiais, somos os maiores.”
- É o que eles dizem.
O homem polui o ar, as águas, não se importa: "tudo é inesgotável."
O homem é obrigado a ficar do lado de um homem fedido,
logo prende a respiração para não sentir o cheiro daquele que,
por escolha, ou não, não teve água pra tomar banho.
Isso tudo é coisa de homem, que eu, Marciano, entendo perfeitamente.
Os homens, por outro lado, sempre se fazem de desentendidos.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Nesse país, somos todos corruptos

Tinha prometido que não ia mais me pronunciar sobre política, porém não resisti, diante de tanta perplexidade de alguns com os escândalos de corrupção em nosso país... 

#somostodoscorruptos 





Para o bem da verdade, esses escândalos da nossa maior empresa estatal, não é surpresa nenhuma para nenhum brasileiro. Todos nós sabíamos, que não só na Petrobrás, mas em todas as instituições, e não só públicas, mas também privadas, sempre houve corrupção, e todos nós, sem exceções, temos o mesmo pensamento de que isso não vai mudar tão cedo. Sabe por que meu querido conterrâneo? Porque temos incrustado em nossa cultura o jeitinho brasileiro. Tanto que se qualquer pessoa que esteja à frente de uma empresa, pública ou privada,  tem aquele pensamento que, senão sonegar um imposto aqui ou ali, senão subornar um fiscal do governo, ou qualquer outra forma de corrupção, tem a sensação que está perdendo dinheiro. Porque sabem que a corrupção é perfeitamente possível e que, nesse país, não há punições severas, mesmo se descoberta. E também sabem, que se punidos, ainda podem se munir da corrupção para se livrarem da pena.  Não é uma inversão de valores muito grande? 

 E você que não tem uma empresa, acha que ficou de fora dessa conta? Engana-se. Isso ocorre também com você que suborna um guarda de trânsito, que fura a fila do banco, que coloca baixa renda na conta de luz, mesmo sabendo que não se encaixa na categoria, e tantos outros exemplos, que se parar pra pensarmos, são formas de corrupção, no entanto, estão tão enraizadas em nossa cultura que nem percebemos.  
Ou seja: o nosso jeitinho tornou-se o meio "correto" de se viver nesse país. E,  aquele, "coitado", que desejar fazer do jeito certo,  é tarjado de otário, de "careta" por aqueles que sugam da nossa terra sem consciência. Quantos não já ouvimos essa frase: "Ora, se todos fazem, eu não sou melhor nem pior do que ninguém."  Quantos já não disseram essa frase! 

Concluo então que, somos todos corruptos, senão praticantes, mas temos o pensamento consciente ou inconsciente de que nesse país, tudo se pode. Estamos tão certo disso, que quando precisamos de um serviço público, cujo é obrigação do estado nos oferecer de graça, apenas porque pagamos nossos impostos,  sabemos que, para funcionar mesmo, temos que pagar uma pequena taxa por fora. São poucos aqueles que lutam por seus direitos. Sabe por quê? Porque temos aquela velha e boa sensação de "rabo preso" meus queridos. Normalmente só desconfiamos de crimes que somos também capazes de cometer.  

E os políticos? Esses são nossos cidadãos, criados aqui entre nós, a nossa imagem e semelhança e eles só vão mudar, quando nós também mudarmos, e este é um processo natural e, portanto, lento. E também, somos uma jovem democracia e sempre cometemos o erro de nos compararmos com democracias centenárias como os Estados Unidos. Estamos amadurecendo com tudo isso..., assim espero! 

Agora chego a pensar que se o Governo FHC não tivesse vendido tantas empresas, imagine a corrupção por trás de todas essas Gigantes estatais. Será que estas que foram vendidas estão realmente de fora desse caldo da corrupção? 

Você que é brasileiro, assim como eu,  tem a resposta dessa pergunta na ponta da língua, não é? - Agora você já sabe por quê!  

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Se tu viesses amanhã


Perdi totalmente a mão, falta inspiração, mas vou postar essa porcaria, que é pra ladrilhar a rua da minha solidão. Nossa, falta-me intensidade! 


Se tu viesses amanhã 

Não. Se eu fosse diferente do que sou,
Talvez tu não me amasses.
Se eu fosse mais capaz, seu eu fosse mais amável.
Ah, se eu fosse mais agradável, talvez tu não me amasses,
Mas talvez houvesse a possibilidade de “nós dois.”
Se eu fosse diferente do que sou,
Se eu não fosse tão soberbo, se eu não fosse tão inseguro.
Se eu não me afastasse tanto, nesse querer-te insano.
Ah, se eu fosse normal, se eu não tivesse medo do escuro.
Se eu fosse mais capaz.
Talvez tu não me amasses.
Mas eu poderia sonhar em ter-te em meus braços.
Ah, se eu fosse mais útil, mas nem mesmo para mim sirvo.
A se eu fosse mais sagaz, se eu vivesse a vida como um leão,
Enfrentando, buscando, como tantos...
Mas Sou um louco, um sonhador...
Um plebeu que se acha Rei.
Que rei não possui um reino?
Se ao menos eu tivesse um castelo  de nuvens brancas
Desses que  permeia a imaginação de uma criança.
Mas não, eu não tenho mais imaginação,
Eu não faço mais poesia! Ao menos não que se leia sem ter náuseas.
- Veja o que fizeste ao ir embora, tornou-me vazio.
Essas ignomínias que escrevo, sem brilho,
Sem rimas, não passa da tua falta em mim.
- Culpo a ti por esse rubro inferno que vivo.   
Ah, se eu fosse diferente do que sou,
Talvez tu não me amasses talvez não se importasse,
Logo, alimentaríamos aquela possibilidade de nós dois.
Mas eu sou eu, diferente de mim, só o outro que tu amas. 

Samuel Ivani 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Filosofia da simplicidade: razões do surgimento das religiões e porque elas se perpetuam até hoje





Friedrich Nietzsche dizia que a ideia de Deus estava próxima de morrer nos corações dos homens. Pensou ele, talvez, que os homens atingiriam a iluminação, a certeza de quem são, de que papel têm na terra, pois segundo a evolução, as ideias obsoletas dos homens evoluíram. Imaginou ele que, a cada dia, nasceriam mais pensadores, filósofos, que seriam suficientemente seguros de si para encontrar as respostas na vida real, no concreto e palpável. Pensou que novas correntes de pensamentos surgiriam e que, a libertação do homem dessas amarras insanas e perigosas da religião era uma certeza próxima. Enganou-se completamente. O fanatismo religioso vem crescendo a cada dia, pois os homens, quando creem em uma profecia, automaticamente, sentem-se que têm o dever de concretizá-la. As profecias são, de fato, a melhor forma de prever o futuro, pois induzem os que acreditam a enveredarem por aquele caminho previsto o tornando real. Esse é um principio básico que os charlatões que se dizem prever o futuro utilizam para ludibriar os desesperançados: indução do individuo a seguir por determinada linha. Os homens se destruirão, exatamente por conta da crença do final dos tempos, pois essa crença leva muitos fanáticos a quererem antecipar o fim, já que tolamente se autodenominam instrumentos divinos. Lógico que essa ideia é extrema, mas se tratando de religiões, essa palavras cabe muito bem.      

Caminhamos para o fim, por que aqueles que creem, querem impor suas crenças aos demais, e a melhor forma, é fazendo com que as profecias se cumpram. 

Para que a humanidade continue, muitos pensam que seria preciso que a religião desaparecesse. Mas a cada dia que passa, os homens, cada vez mais com incapacidade de pensar, se alimentam da religião. A religião cresce, ao posso que a tecnologia evolui, pois a tecnologia entrega a vida já pronta, sem espaços para os homens se construírem, logo, as convicções, as ideias, iluministas, ou qualquer que seja a vertente vão desaparecendo. 

Em tempos do TER, SER, é completamente inútil, então a tendência é seguir aquelas ideias já prontas, que embora proporcione respostas absurdas, são repostas e, automaticamente, tiram a responsabilidade de pensar, de buscar respostas em si próprios. E os homens, sempre em busca do místico, pois não aceitam sua pequenez diante do universo, se agarram a religião. Por esta razão que a religião está cada vez mais forte no mundo. Ora, o nosso cérebro demanda 25% da nossa energia diária, ou seja, pensar demanda grande quantidade de energia. Todo ser vivo parte do princípio da economia de energia, se houver ideias prontas que ele possa absolver, o permitindo poupar energia para outros fins, ele se agarrará a elas com unhas e dentes, e fará de tudo para que estas ideias não desapareçam, por que não basta crer, é preciso que demostre convicção da crença, para que aquela ideia se perpetue, embora essa convicção hoje, seja também, exatamente a perdição do homem, por conta das ideias perturbadas de alguns lideres. 
As guerras religiosas não são, senão, um principio básico da natureza: a competição por recursos; Pensar demanda energia, energia custa caro para conseguir, logo, qualquer economia é bem vinda. Muitos que lutam insanamente por sua religião, o fazem inconscientemente, pois instintivamente os homens perceberam que a religião é a melhor forma de economizar energia, logo, lutam para que essa brilhante maneira não desapareça, embora a racionalidade tenha imposto a realidade, ou ludibriado o homem, para seguir um caminho um pouco mais perturbador, ou agradável, dependendo do ponto de vista, assim, o fazendo cometer loucuras aos olhos dos homens, por que aos olhos de Deus, creio que seja comum o fanatismo religioso.  

A religião fora a melhor forma que o homem encontrou para se aproximar, ao máximo, dos demais animais irracionais. É demasiadamente doloroso para o homem a certeza da morte, e como somos únicos com essa certeza, para nos conformamos e, automaticamente, nos aproximarmos das demais "criaturas" criamos respostas simples, que não requerem que pensemos a respeito. Assim, além de economizarmos energia, nos livramos, em parte, do castigo do livre arbítrio. Ou melhor: da responsabilidade em buscarmos respostas que requerem anos de reflexão com um custo muito alto para nós. Compreendo que as ideias simples do surgimento do universo segundo as religiões se deu por conta do mundo selvagem que os homens primitivos viviam, pois para buscar repostas era preciso parar e refletir muitas horas, logo, não sobraria tempo para buscar alimento e também, parados, estes ficariam vulneráveis a predadores, então criou-se ideias simples, nos conformamos e a vida continuou... e até hoje, como não evoluímos em nada, essas ideias ainda funcionam, exatamente pelo o mesmo principio, embora mantê-las tenha custado, e há de custar um preço muito alto para os homens. É duro aceitar que somos tão simples, não é? 

Trágico? Então que pensemos a respeito, e como essa ideia escrita aqui também já se encontra pronta, a aceite, e tentemos tornar a terra um mundo melhor, sem violência religiosa, sem fanatismos fundamentados em ideias de milênios atrás, que não servem para os novos tempos, por que a vida, embora complexa para os tolos, é muito simples quando se para para pensar um pouco. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O que eu preciso





- Tu precisas arranjar um emprego – disse minha mãe- pois é preciso que compres um carro, onde neste, tu poderá viajar com uma bela garota, - enfatizou ela- Sem um emprego e um carro, tu não arranjarás ninguém.

Minha sábia mãe ameaçou-me, com razão, com a lâmina afiada da solidão, pois sabe ela de que eu tenho medo e concluiu - Isso é o que eu sonho pros meus filhos, mas é preciso que lutem por isso.
Não atentou ela que, os meus sonhos se diferem dos dela, isso em aparência, porque em essência, tudo se parece.

Eu tenho medo, sim, da solidão, de não ter filhos, de não deixar uma parte de mim ao mundo. O verdadeiro fracasso do homem é a solidão. Minha mãe, semi-analfabeta, bem sabe disso. Não atentou ela, que eu não preciso de um emprego, preciso de um carro, isso sim, porém bastasse que eu tivesse dinheiro pra isso. Não desejo esses empregos com patrões chatos, com suas obrigações monótonas, que me tornaria apenas uma máquina programada para ser só mais um com um número de serie. Quão triste eu seria! Mas não nego, eu preciso arranjar alguém, já estou velho e, em mais alguns anos, eu serei visto como um fracassado, sem filhos, sem emprego, sem um carro, sem alguém para cuidar de minha pessoa em idade senil. Dirão aqueles que viveram e tiveram filhos em meu velório: “foi um sonhador, não aceitou a ordem da vida, fracassou, mas era uma boa pessoa.”

Não desejo muito. Eu só desejo ser escritor, só tenho as palavras, só com elas digo. Ou melhor, eu só desejo que não me aporrinhem por que não tenho emprego e, isso se daria se eu pudesse viver de minhas ideias. Mas como um menino pobre, morando no interior do Ceará, conseguirá tal proeza? Se eu tivesse a vocação para ser menos do que eu, talvez eu fosse mais feliz, mas não tenho. Ah, se eu pudesse custear o ócio. Se eu pudesse pagar os direitos de ser Eu. Era tudo que eu queria. Nem precisaria de um carro, pois creio que sou mais interessante que essa máquina com um número de série, bastaria que eu tivesse dinheiro para comprar um. Mas de emprego, acho que não.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Essas minhas convicções


Vendo uma entrevista de 1989 do grande escritor de Encontro marcado Fernando Sabino, eu compreendi os desafios daqueles que resolvem se aventurar pela o angustiante mundo da literatura. Segundo o autor, trocando correspondência com Mário de Andrade, ele aprendeu muito, inclusive, nessa época foi que ele teve a certeza de que não era um gênio, como mesmo descobre o personagem de o Encontro marcado. Todos um dia descobrem que não passa de alguém “talentosinho”! Eu, em minha presunção, em meu egoísmo de um Zé ninguém, busco, a todo o momento provar ao mundo que sou um gênio, e, por esta razão penso que  o mundo comete uma grande injustiça comigo, por não me elevar as alturas, que, por méritos, eu mereceria estar.   


Depois de adquirir a sabedoria que essa lição poderia me repassar e, que de fato, repassou, embora ainda eu não queira descer de minhas convicções e tomar por um caminho comum a todos os reles mortais. Eu aprendi, mas não me convenci. Não! Sou presunçoso demais para isso. Esse talvez não seja um aprendizado útil, já que saber disso não muda o meu jeito de ser. Não posso, pois não sei fazer outra coisa, além de fisgar as palavras que se encontram pairando no ar, cujo qualquer um também poderia fazer. Eu não sei por que ainda me sinto especial, pois se as palavras livres a qualquer um para juntá-las e alimentar-se delas, eu por este fato simples, sinto-me como se tivesse um rei na barriga. Eu deveria diminuir a nada as minhas linhas escritas, e só retornar a escrever aos quarenta anos, que é quando o homem atinge respeito suficiente para ser visto por suas ideias. Os jovens respeitados são aqueles que já morreram, pois eles não podem contestar o que já disseram. Eu, ainda vivo, posso mudar de ideia. Ou seja, minha obra está  incompleta, e por eu ter ainda a chance de mudar qualquer coisa, ainda não sou digno de ser aclamado como qualquer coisa.  Droga, mas não consigo.  
Embora eu devesse mudar de ideia, continuo convicto de tudo, e ainda não me dei conta que não passo de alguém sem talento algum.
Eu devia me conformar que não passo de um biscoiteiro e que, jamais, construirei uma piramide, mas se tenho a certeza que possuo todas as pedras para construir uma piramide, que posso eu fazer a respeito. 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Para onde caminhamos, se tudo se perde a cada nova geração?



 Para onde caminhamos, se tudo se perde a cada nova geração?


Quem já não ouviu de alguém, quer seja jovem ou velho, ou de qualquer idade a celebre expressão: “No meu tempo tudo era diferente, tudo tinha mais graça!” Ouvimos sempre alguém dizer, seja  de qualquer profissão, que não se faz mais hoje, determinada coisa como se fazia antigamente. Atores de teatro, tristemente dizem que não se faz mais teatro como antigamente. Os grandes e celebres escritores, dizem que a cada dia a literatura se perde em meio a essa literatura fantástica que diz nada ou quase nada sobre a vida humana.

Tenho a sensação de que a cada nova geração, muito se perde; é como se caminhássemos para trás o tempo todo, ao menos, na percepção humana. Talvez vivenciemos eternamente uma crise de percepção. Quem sabe, isso seja culpa do nosso egoísmo, que deseja que a nossa vida individual seja repetida nos outros.  Talvez em nosso egoísmo, queremos carregar a verdade absoluta sempre, e que, portanto, os demais estão completamente errados, e, assim, queremos inserir aos outros que o nosso passado era que era o jeito certo de se viver. Sei que com isso, vamos vendo que não mais se fazem grandes escritores como antigamente. Vamos vendo que não temos mais compositores como Bach, Vivaldi... E ai, as novas gerações vão se acomodando cada vez mais com a vida moderna que traz, em uma bandeja, a vida de cada um já pronta. Mas os ganhos? Será que apenas se perde? Thomas Jefferson dizia há muito tempo: "É tolice uma sociedade apegar-se a velhas idéias em novos tempos como é tolice um homem tentar vestir suas roupas de criança" 
Percebes? Eu usando frases de pessoas do passado, quando poderia criar uma nova?  Porém, o que eu digo hoje tem pouco efeito. Talvez amanhã tudo isso seja diferente, pois  farei parte de um passado glorioso.      


Sendo concretamente pessimista: quem mais perde nessa crise de percepção é a arte. Hoje em dia, nesses tempos concretos, quem necessita da metafísica, de poesia, de música clássica. Precisamos são de invenções pra salvar o planeta do efeito estufa. Precisamos de hipocrisia.  Também, nessa vida de se aproveitar as invenções dos outros, quem é que precisa criar. Para se criar arte é necessário a dor, o ócio, é preciso que distanciemos da vida, mas hoje somos bombardeados o tempo todo com um padrão de vida alheio que precisamos seguir, e caso não nos vestimos com esses trajes de cetim, somos excluídos do meio. Mas eu sei, que diante das perdas que essa geração vai amargando, as próximas irão também amargar todas elas um tanto pior. Agora eu te pergunto: aonde vamos parar? - Talvez na irracionalidade! 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Minha madrugada



Minha madrugada


O que seria de mim sem as madrugadas?!
Nessas frias madrugadas, é quando me entorpeço de solidão, de silêncio,
e passo a amar intensamente.
Não que em outros momentos também não ame,
É que, é como se eu tivesse mais coragem pra dizer que amo.
É nessas doces madrugadas sozinho,
que passo a sentir necessidade de pessoas específicas.
É nessas mesmas madrugadas que eu me recordo de que já fui mais feliz,
e com isso, experimento, de fato, a felicidade.
Não sei o que seria de mim senão fosse o tilintar silencioso de besouros que batem na luz nas madrugadas que passo em claro pensando na vida.
Em minhas frias madrugadas é quando me sinto vivo,
É quando crio, é quando sou eu.
Tu que me conheces durante o dia,
Conheces apenas um personagem de mim.
Eu sou eu, apenas sozinho em minhas madrugadas.
Tu que me conheces em rodas de amigos,
conhece apenas uma parte cativante de mim.
Eu, em minha forma pura, sou egoísta, ignóbil.
Tu que me conhece sorrindo, fazendo as pessoas sorrirem.
Conhecem apenas o garoto pobre e feio que encontrou no riso a fuga das dores.
Sou eu mesmo apenas em minhas frias madrugadas.
Mas quem não é uma farsa?
Se para vivermos precisamos ser hipócritas.
A falsidade é tão útil para os homens como carboidratos.
Porém, em minhas frias madrugadas, eu sou eu.
Mas de vez e sempre crio mais um personagem de mim,
Devido o espanto que  me provoca, ao ver-me sendo eu.
Então tento ser outro, menos humano e mais animal.