quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Recado às pessoas sozinhas


As pessoas mudam o cabelo, as vestes, o perfume, mudam os sonhos, as metas, mas ninguém muda a natureza do próprio coração. Podem mudar de religião, até de Fé, mas a selvageria que há instintivamente em sua essência não se muda nunca.  As pessoas que possuem avareza de sentimentos, não cativam nem mesmo seus iguais. Não é a toa que existem pessoas que gastam uma vida toda e jamais cativam o amor em alguém. Um coração repleto de mesquinhez, inevitavelmente, amargará pra sempre a frustração da falta de amor, pois sequer possui amor próprio, já que amar gasta energia e tais pessoas partem do principio da conservação, até mesmo daquilo que requer que gastemos sempre, como o amor, caso contrário,  se esvai com o tempo e a gravidade. Existem pessoas que atribuem sua solidão às pessoas que lhe surgiram ao longo do tempo, pois estas, não foram suficientemente boas para merecerem a sua companhia e esquecem de se analisarem e, não notam que, na verdade, elas que nunca foram capazes de cativar o amor em alguém. Tais pessoas não param para pensar que a realidade de se encontrarem só é pelo fato da sua mesquinhez em relação aos sentimentos. Não se engane, a maioria das vezes é você que é insuportável pelo fato de ser incapaz de disseminar aquilo que não carrega consigo: o amor! Os "sentimentos bons" são a única coisa que quanto mais economizamos, menos temos. Não economize sentimentos bons.
  "Amai ao próximo como a ti mesmo!" E ainda dizem que sou eu que não reinarei no Reino dos céus.  Todos os cães merecem o céu, os homens, no entanto, precisam ser bem diferentes do que são para ganharem um castelo de ouro no Paraíso.  Tu, jamais chegará lá com esse coração amargo até o infinito.
 As pessoas são o que são e tentar mudá-las é tentar forjar uma espada apenas com água fria. 

domingo, 1 de novembro de 2015

Eles hão de chegar a mim



Tu há de chegar lá menino!
Tu é nordestino, tem o pescoço grosso e a cabeça chata.
Só tem que ir pro "Sul". Aqui as coisas são difíceis.
Tem que ir, trabalhar, juntar dinheiro.
Tu há de ser um garçom de primeira na cidade de São Paulo.
E quando voltar, há de comprar um carro,
construir uma casa e arranjar uma boa moça pra casar.
É o que todo mundo faz, é só não esquecer de quem tu é. 
Não esquecer da tua terra, esta que te mantém de pé.
Tu há de chegar lá menino!
O povo aqui tem poucas chances,
tem só que viver de diárias na enxada,
calejando as mãos e queimando a pele,
e apesar de ser um trabalho digno,
 não sustenta uma família com doze moleques.
Bem vê tu o exemplo do teu pai: 
trabalhou a vida toda e quase não tem um pedaço de terra pra morar.
Tu tem que ir embora, fugir desse destino,
voltar, montar o próprio negócio,
e viver de sombra e água fresca. 
Mas lá no "Sul" também não tem moleza,
tem que trabalhar no duro dia e noite. 
E não pode gastar mais do que o necessário,
apenas com vestes e aluguel,
senão não volta mais pro teu nordeste.
Mas tu há de chegar lá menino.

-  Mas eu não quero deixar minha terra. 
Lá não tem caju, nem manga que a gente come direto do pé. 
Tudo tem que comprar, até o ar que se respira.
E ninguém ajuda ninguém,
nem um copo d'água se recebe de graça.
Prefiro minha terrinha,
donde se acorda cedo,
Tem o canto dos pássaros pra acalmar os nervos,
lá só tem o barulho dos carros,
a fumaça entrando pelas fuças.
Homens, uns engolindo os outros
na ânsia por sobreviver.
Sem contar no preconceito. 
Ei de ir lá um dia, mas apenas quando for chamado pra receber um prêmio. 
Sei lá, um prêmio pela minha inutilidade nesse mundo vão.
Embora aqui também eu viva só em um mundo hipócrita,
pois tenho que nivelar meu nível intelectual à um patamar medíocre,
isso se eu quiser permanecer rodeado de gente. 
Aqui, se eu for eu, ninguém me entende. 

Estou condenando a solidão.