sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Inspiração



Quero me desmanchar em poemas
Pois toda inspiração cabe a mim;
Poemas de amor, e todos esses dilemas
Que nunca chegam ao fim. 

Quero me quebrantar em amor
Dividir-me em pedaços, nem que sejam de dor
E que os estilhaços voem com o vento
E espalhem meus sentimentos
Para que com eles eu não morra. 

Quero dividi-me em palavras
E cada letra, cada linha
Transcreva o amor que sinto
Amor que não grito
Por não haver adjetivos
Capaz de expressar o amor que não vivo. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Ouro dos tontos


Há tantos tontos disseminando sonhos;
Há tantos planos pra pouco espanto,
Há tanto espanto por sonhos sem encantos.
Somos o que já realizamos,
Um dia seremos o que sonhamos,
Mas há tantos tontos criando padrões de sonhos.
Eu, coitado, um tonto sonhando ser astro;
Um contador de gotas querendo ser frasco.
"Hum" Hei de ser, de fato, motivos de risos.

Há tantos espasmos musculares sonhando serem sorrisos
Há tantos sorrisos que sequer precisam ser vistos.
Há tantos afagos guardados, esperando serem requeridos.
Somos amados pelos sorrisos que despertamos.
Um dia, seremos lembrados nas alegrias de quem amamos.
Mas há tanta gente fingindo ser feliz;
economizando, tolamente, seus poucos sorrisos.
E eu aqui um bobo, sorrindo aos quatros ventos
Um palhaço sem maquiagem e vestimentas.
Há, há, hei de ser, de fato, um bobo feliz.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A vida é maravilhosa

                                                    Pintura de Julien Dupré


A vida é maravilhosa!
Há quem diga que não é.
Eu, particularmente, desacredito em tais pessimistas.
E eu sou, sem dúvida, o maior pessimista de todos.
Se qualquer outro me dissesse que a vida é uma merda
certamente eu acreditaria.
Mas sou eu quem profere esses disparates aos quatro ventos e,
honradamente digo que, tenho como oficio a arte de mentir. 
Sou um grande mentiroso!

Ora, como que a vida pode ser horrenda
ou mesmo um fardo pesado demais pra ser carregado,
se posso apreciar a beleza dos seus elementos com infinitos sentidos que invento.
Porém, se a vida me fosse imposta apenas como realidade,
ai sim, certamente seria pequena demais e insuportável.
Mas quando observo as cores do dia, 
quando experimento a brisa que açoita-me o rosto no fim de tarde,
eu sinto a maravilha da vida. 
É muito além de ver ou de sentir na pele...
A maravilha se encontra na certeza que tudo nem sempre existiu.  
A verdadeira beleza se encontra na consciência de que sou parte desse espetáculo. 
  
A vida é maravilhosa porque inúmeros acasos me proporcionaram está aqui
experimentado esse intervalo de tempo entre o sopro da vida e o último suspiro.
A vida é um merda pra quem não consegue ver tais verdades.  
Ah, poucos possuem esta sensibilidade! 
Porém, uma vez ou outra nasce um tonto assim que ver além,
Que é incapaz de seguir a ordem que rege a vida.
Que não crer em contos de fadas ou em doutrinas,
Mas que cria um mundo próprio pra suprir a necessidade de fantasias.
Uma vez ou outra, meus caros, nasce um poeta 
que faz das tristezas e mazelas, pérolas.  

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Eu sou um elefante

                                                                  Pintura Francis Swaine


Eu me encontrava deitado tranquilamente, quando me veio à inspiração e levantei entusiasmado pensando que poderia criar uma grande frase; uma que se tornasse grandiosa, tal qual fez por tantas vezes Fernando Pessoa. Em frente ao computador, tentei criar a célebre  frase, porém, nada! Visto que não conseguia escrever nada de extraordinário, me dei conta do quão pequeno sou. Ora, que poderia eu querer ser além de um pedaço de carne ambulante com  ideais medíocres?! Sim, medíocres! Um indivíduo com experiências de vida repetidas, incansavelmente. Sou como um robô programado para as mesmas tarefas todos os dias.  Hoje mesmo repeti a mesma rotina; dormi até meio dia, ao acordar, tomei o mesmo café de sempre, fiz uma piada para um de meus irmãos a respeito do fato de está me tornando barrigudo. Rimos bastante. É sempre bom começar o dia com uma piada, pois assim como uma piada repetida inúmeras vezes perde a graça, eu tinha certeza que o restante do dia, posto nível de semelhança com os anteriores, não teria graça alguma.


Notei que, semelhante ao passado, o calor escaldante do litoral cearense castigava mesmo sob a sombra da casa. Tomei o mesmo banho de sempre, nem sequer a temperatura da água me era diferente. Tudo era o mesmo. Percebi que eu era uma pequena formiga com a soberba de um elefante e tudo que eu faria da minha vida seria produzir uma montanha de esterco tão sem sentido e destituída de nutrientes que não serviria nem para adubar as ervas daninhas que se mantém nos corações de idiotas com aspirações comuns.  Eles, assim como eu, seriam esquecidos. Mas pensando bem, se eu pudesse voltar ao passado, eu escolheria trilhar o mesmo caminho, pois eu amo como sou, qualquer outro caminho me tornaria outro e o mundo deixaria de ter um tolo a mais a quem não ignorar. Talvez, formiga como sou, pudesse fazer das pegadas de elefantes deixadas na lama, minha morada. Ah, que idiotice! Eu sou uma língua de girafa resistente aos espinhos,  e não uma formiga pisoteada por elefantes.  Ou eu sou um elefante branco! 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Noutros tempos




Noutros tempos, eu seria rei.
Noutras dimensões, eu seria teu.
E se o tempo de que hoje pertenço não me apetece,
Talvez fosse melhor esperar que novos tempos viessem.
Mas eu preciso lutar, ir contra a ordem;
E eis que vou deslizando pelos dias como um verme parasita,
Vagando sem rumo aparente, sendo esse ninguém inútil,
Sendo esse tolo cujo todos pensam que não tem jeito.
Sim, porque o que ouço dos plebeus é que sou inteligente
Com grandes habilidades, mas falta-me coragem.
Eles, os reis, em meu lugar, certamente estariam ostentando um alto cargo
com um salário faraônico e viveriam como reis.
Mas nestes tempos, só tenho as palavras,
Só nelas confio, só com elas digo.
Daí, nestes tempos, eu não sou teu, não sou meu, ou de alguém.
Noutros tempos, tu serias minha, tenho certeza.
Poderíamos andar abraçados, despreocupados,
Porque a vida, sem qualquer preocupação em “ter” isso ou aquilo é sempre primavera.
Aí, tu serias Flor, tu serias Luz, radiante,
pois estaria do lado de quem de fato amas.
Sim! Sou eu o único quem vais amar,
Pois se parar pra pensar, fora eu, ainda que de forma implícita,
o homem a quem não conseguiu dominar.
Nunca me teve nas mãos!
Mas se fosse noutros tempos me teria no coração.
Noutros tempos, eu é que te teria nas mãos,
pois a conheço como conheço a mim.
Noutros tempos, Querida Víbora do deserto, seríamos “NÓS”!
E há de chegar esse tempo!
SAMUEL IVANI