quinta-feira, 31 de março de 2016

Rimas pobres



Em caso de decepção;
desame, desespere, esqueça.
Em caso de amor sem medida;
ame, não espere, floresça.
em caso de não amar por preguiça; 
estranhe, questione, erga a cabeça. 
em caso de distância, 
sonhe, persiga, coma um pêssego.
Em caso de não resistir; 
vá em frente, faça uma surpresa. 
Em caso de lágrimas descabidas;
um lenço, um afago, um desfecho... 
em caso de bobos sorrisos;
colo, beliscos, mordidas na orelha. 
em caso de mal-entendidos: 
"desculpa, ela é só uma amiga pentelha." 
Em caso de não colar:
"ela me quer, mas meu coração é teu." 
Em caso de lágrimas descabidas;
um lenço, um afago, um beijo. 
Em caso de futuro, 
sonhe, ame, planeje. 
Em caso de passado, esqueça. 
Em caso de insegurança, 
Acontece, aquece, sem receio. 
Em caso de chegada;
Abrace, grite, aproveite. 
Em caso de despedida; 
uma esperança, um reencontro, um amor inteiro. 
Em caso de amor, 
Ame, não espere, floresça!   

sábado, 26 de março de 2016

É um é dois é Ana


De estrela em estrela até te conhecer
Pode não ser eterno, pode ser um inferno,
Mas o céu é maior sempre que te vejo.
Pode ser mentira toda essa verdade,
Pode ser sonho essa realidade,
Mas eu quero mentir e sonhar em teus braços.

De lua em lua até te encontrar, meu Sol.
Há de está por perto essa distância,
Essa esperança que descansa,
disposta, há ser sempre bossa nova. 

De estrela em estrela brilhava tu de longe
Mostrando-me o caminho pra te encontrar,
despertando em mim o canto dos sabiás
que tímidos cantavam com os sonhos
de te ouvir cantar. 

Antes de ti,
Dançava eu de olhos em olhos.
Era aquele "quase vivo"por não te ver passar
de cabelos soltos, Linda, do jeito que estás.
Eu disse que valia apena os gestos simples;
Ver-te na escola, te ouvir cantar encantado
com tua voz, que eu amo por te amar. 

Antes de ti,
Eu pulava de mim em mim, sem me encontrar.
Hoje, te ouço no barulho das águas finas.
No estrondo do vento quando desperta a persiana,
Quando ouço, Viva Mariana.     
É bobo! Eu sei!   
Mas em tudo vejo a minha menina, meu astro rei.
E ainda há quem duvide que eu ame.
Agora, de estrela em estrela a gente gira o mundo
como quem pensa que o mundo nunca vai começar.
E ainda há quem duvide...  












sexta-feira, 25 de março de 2016

Eu descrevi o amor

                                                                                        Pierre Auguste Renoir 


O amor é o curto espaço de tempo que notamos refletido dentro dos olhos do outro uma janela aberta com um mundo inteiro lá fora e, por escolha, estamos olhando aqui dentro.
É um abraço de longe em si mesmo, imaginando o calor do outro como se estivesse perto.
É um sonho de uma noite de verão que acorda a manhã de alguém que foi dormir triste com um belo sorriso no rosto.
O amor se encontra  naquela saudade gostosa da certeza que vamos nos ver amanhã; 
Naqueles sorrisos despercebidos que não querem ser contidos quando lhe vem na memória uma doce bobagem vivida.
O amor se encontra naquela pausa despercebida ao nos deparamos com uma frase que foi escrita pra gente, pois não tem sentido real. 
Se nota que é amor quando se repete uma rotina chata há muito tempo e, de repente, apenas imaginar que alguém especial existe, faz com que todo dia a partir dali seja deliciosamente diferente.
O amor é um sopro que, senão inalado, se esvai com a gravidade e o tempo.
É a vaidade proporcionada pela ilusória posse mútua de quem sempre venerou a liberdade.
É aquela inocência egoísta oriunda da certeza que vai ser pra sempre.
O amor é a ridícula ilusão de que exercer o amor não é ridículo.
É a capacidade de se amar as ervas daninhas que foram pisadas à dois num dia feliz.
O amor é aquele momento da vida que esquecemos as certezas.
O amor é aquilo que passa.
Eis o amor de fato.








Se querem o meu sangue...



Querem de mim os meus olhos, estes tão comuns.
Eu, desejo entregar-lhes as curvas que enxergo naquelas retas;
Desejos entregar minhas dores, cheia de cores,
de sabores, de emoções.
Eu, entregaria de bom grado, todas as minhas destorcidas visões,
Mas vós, tolos, quereis os meus olhos.
O que se há de fazer com meros olhos?!

Querem de mim, os meus pés,
estes que pisoteiam a terra e deixam rastros que
não resistem a ação do vento.
Eu, em contra partida, desejo entregar os meus calos;
Dar-te, de bandeja, todas as feridas que acumulei
ao longo da minha longa jornada descalço.
Mas vós, tolos, quereis os meus pés encouraçados.
Que vantagens teriam com meros pés incapazes de caminhar?!

Querem estes tolos, a minha força,
esta que troca os objetos de lugar.
Eu, um tanto tolo também,
desejo entregar-lhes o meu sangue.
Não este sangue que jorra com um corte de uma faca
enquanto se saboreia uma manga.
Mas o sangue que é derramado com uma bala,
Ou com um golpe da adaga de um traidor enquanto
se trava uma luta feroz em prol da pátria amada.
Mas querem eles a minha força física!
Que haveria estes tolos de conseguir com a força de um verme, ainda que seja um verme soberbo,
se este, coitado, alberga o intestino de um plebeu!
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Samuel Ivani 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Meu Portugal


                                                        Pintura de Branco Cardoso




Ah! Que vontade de partir para Portugal!
Lá, certamente há de existir a hospedeira para o amor que levarei daqui.
Lá, há de haver a azinheira que me servirá de viga
para o meu casebre que construirei com pedras da colina.
Certamente por aquelas bandas, há de se encontrar a bisavó da ovelha
que me servirá como vitelo para a formação do meu rebanho.
E ao certo, há de existir as terras escuras e adubos naturais para a minha horta
cuja me proporcionará o tempero pra melhor sopa de toda a Alentejo.
Eu preciso ir para Portugal!
Certamente lá ainda há todas as páginas em branco dos livros que serei.
Todas as flores que colherei para os amores que inventarei,
todas as vielas que me servirá de esconderijos para as dores que amargarei.
Levem-me para Portugal!
Lá, certamente o leite da malhada há de me esquentar o estômago toda manhã,
e a noite, os melhores vinhos domésticos, numa taça de cristal, há de me esquentar os couros.
E sempre em pares, grandes bolsos hão de guardar os prendedores de roupa
que não prenderam meu coração por aqui.
Hei de ir para Portugal, mas todo amor em mim, certamente levarei daqui...

quinta-feira, 3 de março de 2016

Engane-me



Estranhamente, tudo não faz sentido!
Eu preciso ir além, porém, ficar convém.
É necessário correr atrás de um sonho que insiste e não correr atrás da gente sempre!
A vida insiste em ditar o que precisamos!
É preciso que eu entenda de política aplicada e de animais,
mesmo tendo ciência que só preciso descarregar galinhas de uma carruagem.
Ora, veja: mesmo eu tendo ciência do que é certo,
insisto em amar os lábios de uma morena compromissada.
Tudo isso me faz pensar o quão estamos aquém da realidade.
Não somos nada!
Tudo que pensamos, dominamos,
não passa de uma forma da natureza nos ludibriar para não nos intrometermos no seu curso natural.
 Ah, meus reis, não estamos no controle de nada!
Tudo é a terra, e nós somos uma pequena parte dela evoluindo inconscientemente,
pois a consciência humana não passa de um auto-engano.
Tal princípio sempre foi o fim!